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CONTAMINADAS

Centenas de aves morrem anualmente na costa da Europa

No ano passado, mais de 800 aves foram encontradas mortas só nas praias francesas

3 de abril de 2025
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Ave morta em praia francesa. Foto: Fred Tanneau/AFP

A mortalidade de aves é um fenômeno de muitas causas que preocupa tanto os defensores do meio ambiente quanto os cientistas.

No ano passado, mais de 800 aves, principalmente aves marinhas e gaivotas-tridáctila, foram encontradas mortas nas praias francesas.

E neste inverno, foram encontradas 167 aves.

Estes números estão longe dos 42 mil corpos de aves encontrados no litoral europeu em 2014, um ano excepcional cuja recorrência do fenômeno preocupa.

“É muito variável de um ano para o outro, mas sempre são encontrados centenas, e para algumas espécies vulneráveis, esta repetição é significativa”, explica Elisa Daviaud, responsável de projetos na Liga de Proteção das Aves (LPO) de Poitou-Charentes.

Hidrocarbonetos

Desde meados de dezembro até meados de março, esta ativista, junto a outros voluntários, recorre quinzenalmente à praia de Grenettes na comuna de Sainte-Marie-de-Ré, no marco do programa europeu Life SeaBil, destinado a investigar essa mortalidade e avaliar a saúde das costas francesas, espanholas e portuguesas.

“As aves são bons indicadores neste sentido porque são particularmente sensíveis à contaminação”, explica a ambientalista.

Determinar a causa de sua morte, no entanto, geralmente requer uma autópsia.

Para isso, cada cadáver é submetido a um protocolo com vários parâmetros (local de descoberta, estado de decomposição, se há vestígios nas penas…) e deve ser congelado com 24 horas de antecedência antes de enviá-lo ao laboratório.

“No ano passado, a nível europeu, 90% das aves estavam contaminadas com plástico. Isso se encontra em seus músculos, sangue e estômago”, explica Cédric Marteu, diretor de Proteção da Natureza da LPO.

Na ilha de Ré, o plástico representa “menos de 10%, mas quase a metade das aves apresentam rastros de hidrocarbonetos”, que causam a perda de impermeabilidade, explica Elisa Daviaud.

“A partir de certa porcentagem de penas contaminadas, estão condenadas e morrem de hipotermia”, diz a jovem.

 “Golpe de misericórdia” 

Outra explicação para essas mortes e grande vulnerabilidade, está relacionada com as tempestades. Elas foram a principal causa da alta mortalidade de 2014.

“Os fortes ventos ou chuvas não matam as aves, elas sabem resistir às inconstâncias do tempo. Mas, para um animal já debilitado por outros fatores, isso poderia ser o golpe de misericórdia”, indica Marteu.

O fluxo das ondas, os ventos adversos e as águas agitadas dificultam o acesso aos alimentos e reduzem as oportunidades de descanso para as aves marinhas.

“Muitas das aves aparecem muito magras. A maioria delas são aves jovens, entre 6 e 8 meses de idade. Nesse estágio, elas geralmente são aves que ainda não conseguem se alimentar adequadamente”, diz Elisa Daviaud.

No ano passado, a ONG Sea Shepherd constatou que as aves falecidas pesavam cerca de 25% a menos que o adequado.

A ONG atribuiu isso a uma “conjunção” entre a pesca excessiva, que priva as aves de seu alimento, e as mudanças climáticas, que aumentam a intensidade das tempestades.

Outras hipóteses são as epidemias de gripe aviárias, que afetam gravemente as aves marinhas, as redes de pesca e os moinhos de vento.

“Foi comprovado que além dos riscos de colisão, [os moinhos] perturbam os corredores migratórios, o que faz com que as aves desviem de sua rota inicial com o risco de esgotá-las cada vez mais”, explica Daviaud.

Uma perspectiva consideravelmente preocupante, já que cinco parques eólicos offshore podem surgir perto da costa da região francesa de Charente-Maritime até 2050.

Fonte: Folha de Pernambuco

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