Enquanto isso, organizações afirmam já ter um abrigo preparado para receber Diego, onde ele poderá se aposentar e finalmente deixar para trás a exploração e o peso da charrete.
Um cavalo de 20 anos, explorado para puxar charretes, desmaiou durante sua jornada de trabalho e permaneceu caído por pelo menos dez minutos, com as patas traseiras cedendo repetidamente. Testemunhas oculares descreveram uma cena angustiante, marcada por tentativas desesperadas, e aparentemente despreparadas, de fazê-lo levantar enquanto ainda estava preso à charrete.
Cercado por oito cocheiros, Diego lutava para se manter em pé. Segundo relatos, os trabalhadores aparentavam não ter treinamento adequado e podem ter agravado a situação ao puxarem seu pescoço e o freio de metal. O caso ocorreu na tarde de sábado (21/02), no Central Park, em Nova York (EUA), um dos destinos turísticos mais famosos do mundo, onde cavalos ainda são usados para passeios puxando carruagens em meio ao tráfego urbano.
“Nenhum cavalo saudável desmaia e depois luta para se levantar a menos que algo esteja seriamente errado. Este é o resultado previsível de um sistema falho sem supervisão veterinária independente”, afirmou Edita Birnkrant, diretora executiva da organização NYCLASS.
A ONG pede a transferência imediata de Diego para a Coalizão de Resgate Equino Urbano, que também se manifestou sobre o caso. “Estamos profundamente preocupados com as notícias de mais um cavalo de charrete em sofrimento na cidade de Nova York. O vídeo mostra o cavalo caído no Central Park, lutando para se levantar enquanto ainda está preso à charrete. Os cavalos não se deitam voluntariamente no asfalto a menos que algo esteja errado. Incidentes como este reforçam o que os defensores dos animais vêm alertando há anos: as ruas da cidade não são um ambiente de trabalho apropriado para cavalos”, declarou.
Testemunhas relataram que Diego desabou enquanto estava parado esperando para o passeio começar. Mesmo após permanecer caído por mais de dez minutos, ele foi forçado a caminhar de volta ao estábulo, subindo uma ou duas rampas íngremes, para aguardar a chegada de um veterinário vindo de outra cidade. Não houve transporte emergencial disponível no local.
A ausência de um protocolo municipal para atendimento imediato de um cavalo caído é uma lacuna grave no planejamento de bem-estar animal e segurança pública. Exigir que um animal possivelmente incapacitado retorne a pé ao confinamento por falta de reboques ou atendimento veterinário no local revela falhas básicas de gestão de risco.
Atualmente, mais de 120 cavalos seguem explorados em passeios de charrete na cidade, mas não existe um plano de emergência municipal documentado publicamente. Também não há reboques posicionados próximos às áreas de trabalho, justamente onde seriam mais necessários.
Alertas ignorados e pressão por mudança
Ativistas entraram em contato com o Departamento de Saúde para solicitar acesso ao prontuário médico de Diego, incluindo radiografias. Segundo eles, meses antes da queda já havia indícios de que o animal deveria ter sido aposentado, especialmente por questões relacionadas à perna esquerda e à sua condição física geral.
Cavalos são animais de presa e mascaram a dor por instinto. Quando um cavalo desmaia ou não consegue permanecer em pé, isso geralmente indica sofrimento significativo e avançado.
Defensores dos direitos animais pressionam o New York City Council para aprovar a chamada Lei Ryder, que será reapresentada nos próximos meses e prevê mudanças estruturais na indústria de charretes. Ativistas também apontam que a Prefeitura e o Transport Workers Union Local 100 não possuem conhecimento técnico nem recursos adequados para gerir essa atividade turística.