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FUGA

Cavalo assustado explorado para puxar charretes escapa do Central Park e colide com carros em Nova York (EUA)

Incidente volta a colocar em pauta a segurança pública, o bem-estar animal e a possível proibição da atividade na cidade

15 de janeiro de 2026
6 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Redes sociais

Viralizou nas redes sociais nesta semana o vídeo de um cavalo sem condutor puxando uma charrete vazia em disparada pelas ruas de Manhattan, nos Estados Unidos. O episódio, que ocorreu nas proximidades do Central Park e terminou sem feridos, mas com alguns veículos danificados, reacendeu pedidos da proibição da prática na cidade de Nova York.

“As pessoas ficaram horrorizadas, absolutamente horrorizadas”, disse Einer Ska, que viu o cavalo desgovernado, à rede de TV ABC7. “Todos estavam se apressando para sair do caminho, torcendo para não serem pegos no meio daquilo.”

Segundo a Polícia de Nova York, na segunda-feira (12/01), a égua Destiny, uma Standardbred de 25 anos, seguiu desgovernada pela Rua 59 até a Sexta Avenida, colidindo ou raspando em quatro ou cinco carros antes de ser contida por um homem que saiu da calçada e conseguiu segurar as rédeas.

Christina Hansen, chefe de gabinete do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Local 100, que representa os 150 cocheiros e proprietários de charretes da cidade, informou ao The New York Times que o animal foi examinado por um veterinário e já retornou ao Central Park.

Ela acrescentou que Destiny teria se assustado com a passagem de uma bicicleta elétrica de carga em alta velocidade. A Amazon, dona do veículo citado, declarou que suas bicicletas têm velocidade máxima inferior ao limite permitido pela legislação municipal.

Debate antigo

O transporte turístico de cavalos com charretes em Nova York tem sido debatido há tempos. Críticos o consideram uma forma de crueldade contra os animais e pressionam pela sua proibição. A proposta ficou conhecida como Lei de Ryder, nome de um cavalo de charrete que foi filmado desmaiando em uma rua de Midtown Manhattan em 2022 e posteriormente morreu.

Edita Birnkrant, diretora executiva do grupo de direitos dos animais NYCLASS, afirmou ao NYT que o Conselho Municipal de Nova York está falhando em sua obrigação legal de proteger a segurança pública ao permitir que os cavalos de charrete continuassem a operar.

“Os cavalos são animais de presa imprevisíveis e nervosos, e seu instinto mais primitivo é correr quando assustados”, observou ela acrescentando que foi “um milagre que ninguém tenha morrido”.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes, por sua vez, salientou que a Comissão de Saúde da Câmara Municipal votou contra a Lei de Ryder no ano passado porque seus membros rejeitaram as alegações de que os animais estavam sendo maltratados e privados de cuidados médicos adequados.

“Grupos com interesses específicos vêm tentando proibir o uso de charretes puxadas por cavalos há quase duas décadas”, afirmou Alexander Kemp, vice-presidente administrativo do sindicato. “É hora de virar a página e nos unirmos para aprimorar ainda mais os bons cuidados que os cavalos recebem atualmente, ao mesmo tempo em que protegemos os empregos dos cocheiros, que permitem que uma força de trabalho predominantemente imigrante sustente suas famílias.”

O NYT procurou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, para comentar o tema, mas não teve sucesso. De toda forma, o jornal recordou que Mamdani afirmou em uma coletiva de imprensa no mês passado que apoiava a “remoção” das charretes puxadas por cavalos do Central Park e que esperava trabalhar com sindicatos e líderes comunitários “para de fato concretizar isso”.

Fonte: Um só Planeta

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