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NEGLIGÊNCIA

Cativeiro prolongado e demora judicial levam à morte de macaca-prego em mini zoológico em Cassilândia (MS); sobrevivente seguirá para reabilitação

Fiscalização encontrou dezenas de animais silvestres mantidos sem autorização, alguns com mutilações e sinais de adoecimento, mas decisões provisórias prolongaram a permanência de casal de macacos em condições inadequadas mesmo diante de laudos que recomendavam reabilitação imediata.

25 de março de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Foto: Vicente Volpati

Um caso que se arrastou por quase quatro anos mostrou, mais uma vez, o custo da demora judicial quando vidas de animais silvestres estão em jogo. A disputa envolvendo um “minizoológico” irregular em Cassilândia (MS), descoberto em 2021, teve desfecho apenas neste mês, tarde demais para Catarina, uma fêmea de macaco-prego que morreu antes de ser finalmente libertada do cativeiro.

A decisão da Justiça Federal determinou a devolução de um casal de macacos à natureza, conforme prevê a legislação ambiental brasileira. No entanto, quando agentes do Ibama chegaram ao local para cumprir a ordem, Catarina já estava morta. O macho, Chiquinho, foi recolhido e encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande, onde passará por avaliação com possibilidade de retorno ao habitat natural.

O caso teve início em 5 de maio de 2021, quando a Polícia Militar Ambiental encontrou 29 animais silvestres mantidos irregularmente em uma chácara. Entre eles estavam araras, papagaio, periquito, pomba silvestre, jabutis e o casal de macacos-prego. Parte das aves estava com asas cortadas, e os animais viviam aprisionados.

Apesar das evidências de manutenção irregular e das multas aplicadas ao proprietário, que somaram R$ 66,9 mil, a retirada dos macacos foi sucessivamente adiada por decisões judiciais provisórias que consideraram o vínculo afetivo alegado pelo responsável. Enquanto isso, os animais permaneceram em cativeiro.

Laudos veterinários produzidos ainda no início do caso já apontavam problemas de saúde nos primatas, como desnutrição, desidratação, infecções fúngicas e alterações comportamentais. Ainda assim, também indicavam que ambos tinham potencial para reabilitação, o que reforçava a urgência de sua transferência para estruturas especializadas.

A morte de Catarina não pode ser dissociada da morosidade do processo. Cada adiamento significou mais tempo de privação de comportamentos naturais, mais exposição a condições inadequadas e menos chances de recuperação plena. A decisão final, embora alinhada à legislação e à proteção da fauna, chegou tarde para ela.

Por outro lado, o encaminhamento de Chiquinho para reabilitação representa uma possibilidade concreta de romper esse ciclo. A expectativa é que, com acompanhamento técnico, ele recupere habilidades essenciais para a vida em liberdade, o que deveria ter sido feito desde o início.

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