Dois gorilas-da-montanha gêmeos nasceram no Parque Nacional de Virunga, no leste da República Democrática do Congo (RDC), uma área conhecida por sua biodiversidade, mas ameaçada por conflitos regionais, informaram nesta quinta-feira (08/01) as autoridades da reserva.
Nascimentos de gêmeos entre gorilas — e, em especial, entre gorilas-da-montanha, uma espécie ameaçada — são considerados muito raros, já que cientistas registram, em média, menos de 1% dos casos. Na RDC, no parque de Virunga, um caso semelhante já havia sido registrado em 2020.
“Os dois recém-nascidos são machos”, afirmou Méthode Uhoze, um dos responsáveis pelo parque, em entrevista por telefone à AFP. Em 2025, foram contabilizados outros oito nascimentos, segundo Bienvenu Bwende, responsável pela comunicação.
“Apesar dos desafios, a vida triunfa”, destacou na quarta-feira, nas redes sociais, o Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN), que administra os parques nacionais do país.
A mensagem foi acompanhada por uma foto que mostrava uma gorila fêmea segurando nos braços dois bebês minúsculos, dos quais apenas as mãos e as orelhas eram visíveis. Uma equipe de rastreadores localizou os gêmeos no sábado, segundo os cuidadores. Medidas de vigilância e proteção foram colocadas em prática para aumentar as chances de sobrevivência dos filhotes.
O Parque Nacional de Virunga, a reserva natural mais antiga da África, inaugurada em 1925, está inscrito na lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Situada na fronteira com Ruanda e Uganda, parte da reserva, que abrange 7.800 km², fica no território do leste da RDC, controlado pelo grupo armado antigovernamental M23, que tomou amplas áreas do território desde seu ressurgimento no fim de 2021.
A violência se intensificou no último ano, e o M23, apoiado por Kigali e seu Exército, ampliou recentemente sua influência territorial na região.
A população mundial de gorilas-da-montanha é estimada em 1.063 indivíduos vivendo em estado selvagem. Cerca de 350 gorilas viviam no Parque de Virunga em 2021, segundo as autoridades da área protegida.
Fonte: O Globo