O avanço das investigações sobre o caso Orelha levanta mais perguntas do que respostas e aprofunda a sensação de que a verdade vem sendo gradualmente diluída. Imagens que poderiam esclarecer responsabilidades deixaram de constar nos autos até o momento, enquanto versões contraditórias passam a ocupar o espaço que deveria ser preenchido por provas.
O quadro torna-se ainda mais sensível após a mudança no relato do vigia, que em um primeiro momento figurava como testemunha relevante e, posteriormente, passou a declarar desconhecimento total dos fatos. A alteração ocorre em uma etapa decisiva da apuração, acompanhada por menções a possíveis coações, o que compromete a credibilidade do processo.
A ausência das provas que “embrulharam o estômago” do governador de Santa Catarina, Jorginho Melo, segundo ele mesmo afirmou, e o esvaziamento de depoimentos não afetam apenas este caso. Comprovam que a vida animal permanece vulnerável diante de estruturas que demonstram dificuldade em reconhecer sua relevância jurídica e ética.
Nosso corpo jurídico tem relatado dificuldades para o ingresso de medidas judiciais relacionadas ao caso. Restrições no acesso a informações e documentos essenciais têm comprometido a atuação técnica. Enquanto um animal submetido a uma crueldade extrema perde a vida, os elementos necessários para sustentar a responsabilização tornam-se instáveis, limitados ou não disponibilizados à defesa até o momento.
Sem isso, a morte de Orelha corre o risco de ser reduzida a mais um crime arquivado, enquanto a sociedade é obrigada a aceitar o inaceitável e a normalização da violência.
Ver essa foto no Instagram