Após intensa repercussão negativa nas redes sociais e pressão pública, o carrossel com cavalos vivos foi suspenso no Shijingli Scenic Area, em Xian, província de Shaanxi, na China. A interrupção encerra, ao menos temporariamente, uma cru3d4d3 que transformava seis cavalos em peças de um mecanismo de entretenimento pago.
A atração, chamada Rotating Real Horses, mantinha os animais presos a uma estrutura metálica giratória, separados por cerca de um metro, forçados a caminhar em círculos sob um guarda-sol insuficiente para protegê-los do calor. O equipamento operava diariamente das 10h às 21h30. A entrada no complexo custava 29,9 yuans, o equivalente a aproximadamente 22,40 reais, enquanto o passeio era cobrado à parte.
Integrada a uma programação temática com centenas de atividades promovidas em parceria com uma empresa terceirizada, a iniciativa foi defendida por funcionários que alegaram alta procura e acompanhamento durante o funcionamento.
A baixa velocidade do giro foi apresentada como garantia de segurança. O discurso, no entanto, contorna o ponto central. Não é apenas sobre velocidade, mas a imposição contínua de movimentos repetitivos e antinaturais.
A publicidade apelava à promessa de sorte e prosperidade, com frases estampadas na armação sugerindo mudança imediata de destino e enriquecimento para quem participasse do carrossel.
Especialistas lembram que equinos são adaptados a percorrer longas distâncias em linha reta e a ocupar territórios amplos. Deslocamentos circulares constantes, sobretudo em raio reduzido, impõem sobrecarga desigual às articulações e aceleram o desgaste físico.
Bai Xu, ex-diretor do Centro Nacional de Segurança e Bem-Estar de Equinos da Associação da Indústria do Cavalo da China, afirmou que esse tipo de esforço não deveria ultrapassar uma hora. Na verdade, eles jamais poderiam participar.
Não é a primeira vez que algo semelhante ocorre. Em 2018, um centro comercial de Chengdu instalou equipamento parecido com animais conduzidos por sistema motorizado. A atividade também foi encerrada após críticas.
Carrosséis mecânicos cumprem a função lúdica sem impor dor ou exaustão. Diante disso, a pergunta que permanece é incômoda. Como se inventam novas formas de explorar animais quando alternativas tecnológicas já existem? O que leva gestores e empresas a transformar corpos vivos em engrenagens substituíveis, mesmo sob o olhar atento de uma sociedade cada vez mais sensível à causa animal?
A suspensão demonstra que a mobilização social produz efeitos concretos. Ainda assim, revela a persistência de um modelo de lazer que insiste em tratar vidas como adereços descartáveis. Enquanto a criatividade humana continuar sendo usada para sofisticar a exploração, será necessário que a vigilância pública avance com a mesma intensidade.