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FIM DA EXPLORAÇÃO

Carroças puxadas por animais serão trocadas por triciclos elétricos em Belo Horizonte (MG)

Substituição de veículos de tração animal começa em 30 dias na capital

11 de fevereiro de 2026
Bernardo Haddad
3 min. de leitura
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Foto: Valéria Marques/Hoje em Dia

Um programa que visa retirar definitivamente os Veículos de Tração Animal (VTA) das ruas da capital mineira foi lançado ontem (10/02). O plano oferecerá triciclos elétricos em troca dos animais de carroceiros cadastrados na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). A substituição começa a partir da publicação do decreto, que deve ocorrer em até 30 dias.

Os trabalhadores que optarem pelo veículo motorizado terão acesso a subsídio total para a obtenção ou mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), incluindo exames médicos e psicotécnicos. O programa prevê ainda cursos teóricos e práticos em parceria com o SEST/SENAT para garantir a operação segura no trânsito. Para aqueles que não possuem perfil para dirigir, haverá encaminhamento para cursos profissionalizantes em zeladoria urbana ou auxílio técnico para a requisição do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).

Segundo o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), o triciclo é 100% elétrico e possui custo operacional reduzido. O gestor municipal destacou o impacto social e ambiental da medida:

“Para andar 100 km, você gasta R$ 6 de energia para poder carregar a bateria. Belo Horizonte é uma das capitais do Brasil que entra nessa luta para poder proteger os animais na cidade, para poder ajudar esses carroceiros e dar para eles uma nova forma de viver”, afirmou.

Destino dos animais

Um ponto central da nova regra é o destino dos 612 cavalos já microchipados e vacinados na capital. O responsável poderá manter o animal, desde que assine um termo de responsabilidade garantindo que ele não será mais utilizado para trabalho. Outra opção é a doação para Organizações da Sociedade Civil (OSC) que cuidam da guarda responsável.

Em casos de flagrante de maus-tratos ou descumprimento da lei, o recolhimento do animal será obrigatório. O prefeito reforçou o compromisso com os trabalhadores durante o processo de transição: “Estamos levando qualidade de vida para quem vai pilotar essa máquina, mostrar para ele que o que nós fizemos é o melhor para ele também, não é só para o animal”.

Custos, Dificuldades e Temor

A reportagem falou com um grupo de carroceiros em uma Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPVs) da capita. O representante deles, Agnaldo Gomes da Silva, 57 anos, contou que trabalha como carroceiro há quase 40 anos, e avaliou que a nova resolução municipal sobre carroceiros é parcialmente benéfica. Segundo ele, o programa seria prejudicial para quem já é idoso ou não tem condições financeiras de se adequar.

“Em termos financeiros, a prefeitura vai ajudar. Eu não sei exatamente como que vai ser esse processo, e vai ajudar a tirar a carteira também. Mas é no caso das pessoas já idosas? A pessoa não tem condições de tocar uma moto”, argumentou.

Fonte: Hoje em Dia

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