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LAUDO TÉCNICO

Cão Orelha: laudo após exumação não identifica lesões na cabeça, mas morte por trauma não é descartada

Documento obtido com exclusividade pela NSC TV traz a conclusão da exumação do corpo do cão após Ministério Público cobrar da Polícia Civil novos esclarecimentos do caso.

26 de fevereiro de 2026
Sofia Mayer e Jean Raupp
5 min. de leitura
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Foto: Divulgação

O laudo pericial feito pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha, feita em 11 de fevereiro, não identificou a causa da morte do animal comunitário agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro.

O documento, no qual o repórter Jean Raupp, da NSC TV, teve acesso com exclusividade, descartou qualquer fratura no esqueleto do animal, mas citou que a conclusão “não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo”.

O laudo tem 19 páginas e é parte de uma série de novos pedidos de informações à Polícia Civil feitos pelo Ministério Público de Santa Catarina.

O documento concluiu o seguinte:

  • Houve a morte do animal.
  • A análise dos restos mortais não permitiu afirmar qual foi a causa da morte.
  • Não foram constatadas quaisquer fraturas nos ossos do animal.
  • A ausência de fraturas não implica ausência de ação contundente contra a cabeça do cão — como apontou a Polícia Civil, que disse que a morte de Orelha teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta.
  • O texto cita que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais à morte.
  • Não foi constatado qualquer vestígio que sustente a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal, como chegou a ser veiculado nas redes sociais.
  • Constatou-se na região maxilar esquerda do crânio uma área de porosidade óssea não observada no lado oposto, compatível com osteomielite (infecção óssea). A forma como a porosidade foi observada revela um processo crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática a qual o animal foi submetido”.
  • Na coluna vertebral, foi observada presença abundante de osteófitos (resposta do corpo ao processo de sobrecarga e desgaste), compatíveis com espondilose deformante — uma doença degenerativa crônica comum em animais idosos, sem relação com o possível trauma recente.

No texto, os peritos destacaram limitações importantes para a realização do trabalho. O animal, por exemplo, já estava em fase de esqueletização, comprometendo a análise de tecidos moles. “Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, diz o documento.

O laudo ainda afirma que “todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente, não tendo sido constatada qualquer fratura ou lesão que pudesse ter sido causada por ação humana, nem mesmo em crânio, em região esquerda, na qual já foi discutido no laudo anteriormente apresentado”.

Porque o MP solicitou novas diligências à Polícia Civil

Um mês depois da morte de Orelha, em 4 de fevereiro, o MP recebeu a conclusão das investigações. No dia 10, o órgão solicitou informações complementares à Polícia Civil após apontar que o material reunido apresentava lacunas que impediam a formação de uma opinião sobre o caso.

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