Quando a responsável pela organização de resgate animal Do Good percebeu que uma nova cadela havia sido deixada em um terreno perto do abrigo, não sabia ao certo o que esperar. Ainda assim, não imaginava que a patuda estivesse acompanhada por três filhotes — e muito menos que um deles fosse verde.
Elisa Dumitrescu, líder da equipe que atua em Solca, na Romênia, contou ao The Dodo que o caso aconteceu no mês passado, depois que foi informada sobre o abandono da cadela de grande porte, que decidiu resgatar. “Quando chegamos, ela veio nos cumprimentar imediatamente”, explica.
Ao se aproximar, a ativista ouviu o choro de filhotes, que percebeu vir de um barracão próximo. “Fomos até lá, e lá estavam eles”, diz, explicando que foi guiada pela mãe até os três bebês, que, ainda de olhos fechados e com menos de uma semana de vida, choravam no chão.
A equipe decidiu levar os animais ao centro de resgate para que pudessem se aquecer após o tempo indefinido que passaram no frio — decisão que a mãe respeitou, permitindo que os humanos tocassem nos filhotes.
Dumitrescu cumpriu a missão de transportar os animais em segurança até as instalações da Do Good, onde todos passaram por exames de saúde, com bons resultados. Foi nesse momento que os voluntários perceberam a particularidade de um dos filhotes. “Notei que um dos bebês tinha uma cor diferente. Ele era verde”, conta Elisa.
A surpresa inicial veio acompanhada de preocupação com o bem-estar do cão, que logo foi esclarecida após a visita ao veterinário, que explicou tratar-se de “uma condição rara”. “A cor verde vem do útero da mãe, mas depois desaparece”.
A pequena família segue no abrigo, onde os filhotes estão crescendo e aprendendo a socializar para, posteriormente, serem adotados.
Os cães também podem ser verdes
Apesar de muito raro, não é impossível. A causa é a biliverdina, um pigmento presente na bile, um fluido produzido pelo fígado e armazenado na vesícula biliar, órgão presente no corpo da maioria dos animais vertebrados. Animais como cavalos, lhamas e até ratos são exceções, já que seus sistemas digestivos não necessitam dessa substância.
A biliverdina é o mesmo pigmento que deixa os hematomas esverdeados. Ela está presente no mecônio — nome dado às primeiras fezes de um mamífero — formado por materiais ingeridos enquanto o bebê ainda está no útero; uma dessas substâncias é a bile.
Em alguns casos, quando a quantidade de mecônio liberada no saco amniótico é particularmente alta, o pigmento pode se misturar ao líquido amniótico, tingindo o pelo do filhote. Se o pelo for claro, a pigmentação fica visível mesmo após o nascimento. Como “cada filhote está dentro do seu próprio saco dentro do útero”, essa condição não afeta todos os bebês, explicou a veterinária Suzanne Cianciulli à CNN.
A pigmentação verde não representa qualquer risco à saúde — embora possa trazer alguma fama — e desaparece à medida que os animais crescem.
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Traduzido de Pets in Town.