O cão Chutou, um Border Collie de oito anos que conquistou mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais chinesas por acompanhar seu tutor em viagens por diferentes regiões do país, foi morto após ser raptado e vendido para um estabelecimento que comercializa carne de cachorro.
Chutou vivia com Guo, influenciador de viagens da província de Henan. Desde filhote, o cão acompanhava o tutor em expedições por montanhas, desertos e outras paisagens da China, até que, durante uma viagem do influenciador à Geórgia, ele permaneceu sob os cuidados dos pais de Guo em uma propriedade rural.
Em 11 de maio, o pai de Guo percebeu o desaparecimento do animal. Imagens de câmeras de segurança mostraram dois homens levando Chutou em uma bicicleta elétrica. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Guo interrompeu a viagem e retornou imediatamente à China para iniciar as buscas.
Após semanas de procura, ele conseguiu localizar o homem apontado como responsável por raptar o cachorro. Na tentativa desesperada de recuperar o companheiro, ofereceu o equivalente a 10 mil yuans (aproximadamente 7.500 reais) pelo retorno do animal. O suspeito alegou ter acreditado que Chutou era um cão sem tutor e afirmou que ele o teria seguido espontaneamente.
A justificativa foi contestada por Guo. Segundo ele, Chutou usava coleira, possuía dispositivo de rastreamento e estava descansando dentro da propriedade da família quando desapareceu.
Pouco depois, veio a notícia mais devastadora. O tutor foi informado de que o Border Collie havia sido vendido por apenas 180 yuans (cerca de 130 reais) a um restaurante que comercializa carne de cachorro e que ele já havia sido morto e consumido.
De acordo com relatos divulgados pela mídia chinesa, o homem acusado de roubar o cão e seus familiares não demonstraram arrependimento. Em uma das conversas, ele teria afirmado que “o cachorro está morto” e que não havia cometido nenhum crime.
Na tentativa de obter algum vestígio do companheiro, Guo procurou o funcionário responsável pelo abate do animal, esperando recuperar restos mortais ou ao menos parte de sua pelagem. A resposta recebida foi de que os pelos haviam sido descartados no lixo há muito tempo.
Embora os cães sejam considerados membros da família por milhões de pessoas, a legislação chinesa ainda trata os animais domésticos como propriedade. O país não possui uma lei nacional específica de proteção para cães e gatos, e disputas envolvendo esses animais costumam ser resolvidas apenas por meio de indenizações civis.
O caso poderá ser enquadrado como furto apenas se o valor econômico de Chutou for oficialmente reconhecido acima do limite estabelecido para responsabilização criminal. Ainda assim, aspectos como o vínculo afetivo entre tutor e animal, facilmente provado por sua notoriedade nas redes sociais, é difícil de quantificar judicialmente.
Embora cães tenham sido retirados do catálogo oficial de animais de criação da China em 2020, não existe uma proibição nacional do consumo de sua carne. Algumas cidades, como Shenzhen e Zhuhai, já proibiram o consumo de cães e gatos, mas em diversas regiões a prática continua sendo defendida.
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