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RECOMEÇO

Cão comunitário baleado por policial da Brigada Militar recebe alta e vai para novo lar no Rio Grande do Sul

Uma família de Campo Bom, onde o cachorro já vivia, recebeu novo integrante

8 de fevereiro de 2026
3 min. de leitura
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Foto: Paola Altneter/GES-Especial

Esta sexta-feira (06/02) marca o começo de uma nova história para Negão, até então cão comunitário que sofreu um tiro de borracha durante uma ocorrência da Força Tática da Brigada Militar na noite do último dia 27. Isso porque agora ele integra uma família de Campo Bom (RS), município onde já morava e era conhecido por muitos.

O professor Mogar Damasceno Miranda, de 42 anos, e o companheiro Wallace Farias, 41, oficial de justiça, decidiram juntos cuidar e abrir as portas de casa para Negão. Com a repercussão do caso, o casal se sensibilizou à causa e optaram por disputar à adoção, solicitada por moradores até de outros estados. “Mexeu muito comigo, foi um negócio meio arrasador”, menciona Wallace.

De acordo com Mogar, o impacto maior foi devido a ser um cachorro mais velho, com idade em torno dos oito anos, o que se torna um agravante para adoção. Além dele, o casal tem mais dois animais domésticos em casa, em um amplo pátio, segundo relato. “É um espaço que ele vai ser acolhido para ter uma qualidade de vida legal”, declara.

Os preparativos para chegada do terceiro animal já estavam a mil, com direito a casinha e plaquinha com o nome. “Os dogs lá de casa parece que já estão sentido que vai chegar mais alguém”, comenta Wallace. “Vai ser muito legal porque eles vão ter outro irmão para brincar e para ele se sentir um pouco mais acolhido porque ele é um cão comunitário acostumado com essa liberdade”, diz Mogar.

Como está a saúde do Negão

Conforme o médico veterinário Rafael de Souza Pinheiro, o cão chegou há pouco mais de uma semana em estado grave, com lesões na pele e musculatura. No raio-x foi observado que não havia lesões ósseas, então foi possível seguir com medicamentos e troca de curativos diversas vezes ao dia. “Como causava necrose, a borracha que foi atingida, machucou muito ele”, informa.

Na pata traseira, Negão ficou com uma laceração e perdeu um pedaço de pele, com isso, está em tratamento para cicatrização, porém, segundo Pinheiro, o cão está bem, se alimentando, ativo e disposto. “Ainda vai precisar de cuidados na parte de curativos e medicações, então a gente vai controlando até o momento de ele ter alta total. Ele vai para casa, mas com o nosso acompanhamento ainda”, explica.

Adoção foi concorrida

A presidente da ONG Campo Bom para Cachorro, Tatiana Aumonde, relembra que os moradores do bairro Barrinha fizeram o contato na noite do ocorrido, buscando auxílio. Segundo ela, há pelo menos três anos Negão era cão comunitário no local.

Após a repercussão do caso, pessoas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná procuraram a ONG para adoção, além de moradores de cidades da região, como Porto Alegre e São Lourenço. “A gente priorizou encontrar um lar para ele na cidade para que a gente não perdesse o vínculo com ele e pudesse seguir acompanhando a adaptação, os primeiros meses e ele vai ter uma ótima família”, afirma.

A investigação

De acordo com o delegado Rodrigo Câmara, “no entendimento da Polícia Civil, trata-se de um crime militar, cuja atribuição de investigar é da própria Brigada Militar”.

Já a comunicação social da Brigada Militar informa que a investigação está em andamento e “qualquer posicionamento agora pode prejudicar a coleta de provas”.

Por fim, ao ser questionado, o Ministério Público do Rio Grande do Sul salientou que, por meio da Promotoria de Justiça de Campo Bom, instaurou expediente e acompanha o caso do cão comunitário.

Fonte: ABC Mais

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