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Campanha associa superpopulação humana à extinção de animais

2 de novembro de 2011
2 min. de leitura
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Por Mireya Navarro

Centro de Diversidade Biológica americano quebra tabu e distribui camisinhas com imagens de animais ameaçados de extinção (Foto: Tony Cenicola/The New York Times)

Grandes grupos ambientais dos Estados Unidos evitaram o tema do controle populacional ao longo de décadas, com medo de entrar na polêmica da política de saúde reprodutiva.

No entanto, praticamente sozinho, o Centro de Diversidade Biológica está quebrando o tabu de associar diretamente o crescimento da população e os problemas ambientais através de esforços como a entrega de preservativos em pacotes coloridos retratando animais ameaçadas de extinção.

A ideia é dar início a um debate sobre como a superpopulação humana elimina espécies e acelera a mudança climática – justamente quando o mundo chega a 7 bilhões de habitantes.

“Use com cuidado e salve o urso polar”, diz um dos pacotes. “Usar um preservativo agora, pode salvar uma coruja”, diz outro.

Kieran Suckling, diretor executivo do centro, uma organização sem fins lucrativos localizada em Tucson, Arizona, disse que teve a inspiração alguns anos atrás. “Todas as espécies que podemos salvar da extinção acabarão por ser engolidas se a população humana continuar a crescer”, disse ele.

Nos Estados Unidos, a taxa de natalidade tem caído constantemente desde o baby boom, de 3,6 nascimentos por mulher em 1.960 para 2 hoje, um pouco abaixo do nível de reposição, em que uma população substitui-se de uma geração para a seguinte.

No entanto, mesmo com essa taxa, os demógrafos estimam que o país crescerá de 311 milhões de pessoas para 478 milhões até o final do século, tanto por causa dos nascimentos quanto por causa da imigração.

As maiores taxas de nascimento – de cinco a mais de seis nascimentos por mulher – estão ocorrendo em países da África e Ásia, incluindo a Nigéria e o Iêmen.

No entanto, entre as grandes economias, os Estados Unidos só perdem para a Austrália na quantidade de dióxido de carbono emitido per capita, segundo os últimos números da Administração Federal de Informação de Energia.

“Cada pessoa que você acrescenta ao país gera demandas tremendas sobre o meio ambiente”, disse Joel E. Cohen, chefe do Laboratório de Populações da Universidade Rockefeller e da Universidade de Columbia.

Um estudo publicado no ano passado no relatório anual da Academia Nacional de Ciências mostrou como diminuir a taxa de crescimento populacional do país de 2,0 para 1,5 nascimentos por mulher pode resultar em uma queda de 10% nas emissões dos gases causadores do efeito estufa até meados do século e uma queda de 33% até o final do século.

“Há consequências importantes em se ter filhos e nós tentamos quantificá-las”, disse Paul A. Murtaugh, professor de estatísticas e um dos de autores do estudo.

Fonte: Último Segundo 

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