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RISCO À SAÚDE

Camarões de rios apresentam cocaína e antidepressivos no organismo, revela estudo

15 de março de 2026
Redação ANDA
2 min. de leitura
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Um estudo realizado em rios do condado de Suffolk, na Inglaterra, revelou uma situação alarmante da contaminação química que atinge ecossistemas aquáticos. Pesquisadores do King’s College London analisaram camarões de água doce e encontraram resíduos de drogas ilícitas e medicamentos em todos os indivíduos examinados.

A pesquisa identificou traços de cocaína, ketamina e diferentes compostos de antidepressivos. O dado que mais preocupou os cientistas foi a frequência da contaminação. Todas as amostras analisadas apresentaram essas substâncias no organismo.

Os pesquisadores explicam que esses resíduos chegam aos rios por meio do sistema de esgoto. Após o consumo humano, parte dos compostos químicos é eliminada pelo corpo e segue para as redes de tratamento. O problema é que muitas estações não conseguem remover completamente drogas recreativas e substâncias farmacêuticas antes que a água tratada seja devolvida ao ambiente.

Embora as concentrações encontradas sejam consideradas baixas, a exposição contínua pode alterar o comportamento, a fisiologia e a sobrevivência de diferentes espécies aquáticas. Pequenos crustáceos como os camarões desempenham papel fundamental na cadeia alimentar, servindo de alimento para peixes e outros animais. A contaminação química nesses organismos pode se espalhar por todo o ecossistema.

Especialistas alertam que a presença dessas substâncias é um sinal da pressão crescente que os resíduos humanos exercem sobre a natureza. Compostos que passam despercebidos no cotidiano acabam acumulados em rios, lagos e oceanos, afetando animais que jamais tiveram contato direto com essas drogas.

A descoberta reforça o alerta sobre a necessidade de melhorar sistemas de tratamento de esgoto e de reduzir a liberação de poluentes químicos no ambiente. O que é descartado no vaso sanitário não desaparece. Em muitos casos, retorna à natureza e permanece circulando nos cursos d’água, com consequências ainda pouco conhecidas para a vida silvestre.

DOI do estudo: 10.1016/j.envint.2019.04.038

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