Os oceanos do planeta registraram em 2025 o maior volume de calor já registrado, reforçando o papel central dos mares como o principal termômetro da crise climática e o risco de impactos ambientais cada vez mais significativos.
Apenas em relação a 2024, o calor nos 2.000 metros superiores dos oceanos aumentou cerca de 23 zettajoules (ZJ) — a maior elevação anual já medida pelos instrumentos existentes.
Mais de 90% do excesso de calor gerado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa é absorvido pelos oceanos, o que faz do aquecimento oceânico um dos indicadores do avanço do aquecimento global. “Se você quer saber o quanto a Terra aqueceu ou quão rápido continuará aquecendo no futuro, a resposta está nos oceanos”, afirma o professor da Universidade de St Thomas (EUA), John Abraham, de acordo com a reportagem do The Guardian.
Segundo o estudo, desde 2017 os oceanos vêm batendo recordes de calor por nove anos consecutivos, a mais longa sequência já observada.
Esse calor adicional atua como um indicativo para eventos climáticos extremos. Furacões e tufões chegam às áreas costeiras com mais intensidade, chuvas se tornam mais destrutivas, ampliando o risco de enchentes, enquanto ondas de calor marinhas mais longas e frequentes afetam recifes de corais, cadeias alimentares e a biodiversidade dos oceanos. A pesquisa mostra ainda que a taxa de aquecimento dos oceanos mais que dobrou nas últimas décadas, passando de cerca de 0,14 W/m² por década no período 1960–2025 para aproximadamente 0,32 W/m² por década desde 2005 .
O aquecimento também contribui diretamente para a elevação do nível do mar, por meio da expansão térmica da água, colocando bilhões de pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente, em regiões costeiras e ilhas.
“Enquanto o calor da Terra continuar aumentando, o conteúdo de calor dos oceanos continuará a subir e os recordes continuarão a cair”, ressaltou Abraham.
Embora medições confiáveis da temperatura dos oceanos existam desde meados do século 20, cientistas afirmam que os mares provavelmente estão mais quentes do que em qualquer momento dos últimos mil anos, com uma taxa de aquecimento sem precedentes nos últimos dois milênios. Em 2025, cerca de 57% da área oceânica global esteve entre os cinco anos mais quentes de sua história local, o que indica a gravidade do fenômeno.
A análise, publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences, avaliou dados de diferentes instrumentos ao redor do mundo e calculou o conteúdo de calor dos 2.000 metros superiores dos oceanos, onde se concentra a maior parte desse excesso térmico. O volume de energia armazenado é tão grande que equivale a mais de 200 vezes todo o consumo anual de eletricidade da humanidade, segundo os pesquisadores.
Detalhamento
O aquecimento, no entanto, não ocorre de forma homogênea. Regiões como o Atlântico tropical e Sul, o Pacífico Norte, o Oceano Índico Norte e o Oceano Austral apresentaram temperaturas particularmente mais elevadas em 2025. No entorno da Antártica, a situação preocupa ainda mais os cientistas por conta do colapso recente do gelo marinho durante o inverno – fenômeno que interfere no equilíbrio climático global e na circulação oceânica.
Outras áreas, como o Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo, também enfrentam pressões ambientais ao mesmo tempo: além de mais quentes, essas águas estão se tornando mais ácidas e menos oxigenadas. Segundo a estudo, os impactos são imediatos: as mudanças fragilizam ecossistemas marinhos e reduzem a capacidade dos oceanos de sustentar a vida e de regular o clima.
Fonte: Um só Planeta