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CONSEQUÊNCIA

Calor e umidade extremos nos Estados Unidos são 'virtualmente impossíveis' sem mudanças climáticas

5 de julho de 2026
AFP
2 min. de leitura
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Homem enfrenta o calor durante feira no National Mall, em Washington, nos Estados Unidos, na última quarta-feira (1º). Foto: Reuters/Cheney Orr

O calor extremo e a umidade em diversas regiões dos Estados Unidos, no momento em que o país recebe a Copa do Mundo e se prepara para celebrar o aniversário de 250 anos da independência, seriam “virtualmente impossíveis” sem as mudanças climáticas, afirma um estudo publicado nesta sexta-feira (03/07).

“No aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, nosso estudo apresenta um claro choque de realidade”, disse Theodore Keeping, pesquisador de eventos climáticos extremos e incêndios florestais no Imperial College London, coautor da pesquisa para o grupo World Weather Attribution (WWA).

“O clima que o país tem hoje é fundamentalmente diferente daquele que tinha quando os pais fundadores assinaram a Declaração de Independência”, acrescentou.

O WWA, que reúne especialistas de várias instituições de prestígio, examinou a onda de calor provocada por um forte sistema de alta pressão conhecido como “domo de calor”. O fenômeno retém ar quente e úmido como uma tampa sobre grande parte do centro e do leste do país, assim como o sul do Canadá.

Embora estes fenômenos meteorológicos sejam frequentes, agora geram temperaturas mais elevadas devido às mudanças climáticas.

As temperaturas diurnas em muitas áreas ultrapassam 38ºC, mas a sensação térmica é ainda maior quando a umidade é levada em consideração.

O estudo também analisa os valores de Temperatura de Globo e Bulbo Úmido (TGBH), um índice que considera o calor e a umidade, que podem bater recordes durante esta onda de calor extremo.

O WWA comparou duas versões do mundo atual por meio de modelos climáticos: uma afetada pelo aquecimento global e outra livre do fenômeno. Os pesquisadores constataram que, em um planeta sem mudanças climáticas, os valores de TGBH registrados teriam sido praticamente impossíveis. No máximo, aconteceriam uma vez a cada 5.000 anos.

E mesmo no mundo atual, tais condições são consideradas extremamente raras, uma vez a cada 200 anos, embora persista a incerteza diante do caráter extremo do fenômeno.

Os pesquisadores também analisaram o impacto do El Niño, fenômeno natural de aquecimento do Pacífico, que produziria apenas um leve resfriamento das temperaturas.

As previsões indicam que as partidas da Copa do Mundo, incluindo o confronto de 4 de julho entre França e Paraguai na Filadélfia, devem ser disputadas com uma temperatura WBGT superior a 28ºC no início. O FIFPRO, sindicato dos jogadores, pediu que as partidas sejam adiadas, alegando que são inseguras para os atletas e torcedores.

Fonte: UOL

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