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SAÚDE

Cães e gatos têm risco maior de doenças durante o inverno, alerta especialista

Enfermidades como a cinomose e a doença respiratória infecciosa em cães, por exemplo, são mais comuns nesta época

3 de agosto de 2024
Redação DM Anápolis
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Freepik

O inverno é uma estação que pode potencializar problemas de saúde em humanos, especialmente por conta do tempo seco, comum nesta época. Esse período, porém, não causa efeitos apenas nas pessoas, mas também nos animais, como cães e gatos, oferecendo um risco maior de doenças.

De acordo com o doutor em Engenharia Biomédica e Sanitarista especialista em Saúde Pública, Raphael Castro, ainda que a redução da temperatura não alcance os níveis mais graves, impacta no funcionamento natural de muitos processos biológicos, como a manutenção de um sistema imunológico ativo e eficiente do pet.

Com o sistema imunológico fragilizado, os animais se tornam suscetíveis ao adoecimento por bactérias, vírus e muitos outros agentes infecciosos e parasitários. “Nessa época de frio eles ajustam seu comportamento visando resistir às condições adversas do meio ambiente. Cães e gatos passam a se abrigar muito próximo, por vezes em contato direto uns com os outros, objetivando melhor manutenção mútua da temperatura corporal”, explica.

“Essa proximidade eleva o risco da transmissão de doenças infecciosas e parasitárias, seja a partir de secreções respiratórias ou do simples contato direto (casos dos parasitas de superfície, como sarna, pulga, carrapatos e piolhos)”, completa.

Enfermidades como a cinomose e a doença respiratória infecciosa em cães são mais frequentemente observadas no inverno. Já a rinotraqueíte, a calicivirose e a panleucopenia, mesmo não sendo exatamente relacionadas ao período de inverno, podem ser potencializadas nessa época, principalmente em gatos não vacinados de abrigos ou colônias de rua. Parasitas externos como pulgas, carrapatos, sarnas e piolhos também podem se beneficiar da aglomeração de animais frente ao frio e disseminarem entre eles.

“É importante manter a vacinação dos animais em dia e realizar a vermifugação e a prevenção contra parasitas externos. Em qualquer caso ou suspeita de alteração comportamental, mudanças na frequência e aspecto das fezes e urina, no apetite ou ingestão de água, na atividade física, aspecto do pelo ou emissão de sons distintos dos habituais é extremamente importante que o animal seja levado para uma avaliação com um veterinário”, esclarece.

Cuidados no frio

“Além de falarmos sobre as doenças prevalentes no inverno é extremamente importante sabermos o que o frio, por si só, causa nos animais e em seu comportamento. Cada espécie animal possui uma faixa (ou intervalo) de temperatura considerada normal, que proporciona conforto térmico e mantém seu funcionamento biológico. Dentro desse intervalo, há uma temperatura mínima e máxima consideradas normais, onde o corpo do animal trabalha biologicamente sem alterar sua eficiência”, observa.

O veterinário explica que para que essa temperatura se mantenha dentro dos limites normais, os animais precisam regulá-la, ajustando-a às variações do ambiente: em condições de frio, os animais precisam conservar o calor, reduzindo sua perda para o ambiente, e, também, aumentar a sua produção. Para isso, os animais utilizam mecanismos físicos e bioquímicos, como os tremores e aumento do metabolismo, por exemplo.

“Quando a temperatura cai para níveis inferiores a temperatura mínima normal, os animais começam a estabelecer ações para conservar o calor por ele naturalmente produzido, contraindo os vasos sanguíneos periféricos, mantendo o sangue, que também é uma solução condutora do calor, mais concentrado no interior do corpo, reduzindo assim a perda do calor para o ambiente”.

Outra ação comum que pode ser observada nos pets, segundo Raphael Castro, é quando eles se “enrolam” sobre o próprio corpo reduzindo seu contato com o ambiente e elevam os pelos criando um espaço extra entre sua pele e o ambiente, tudo isso a fim de retardar a perda do calor interno.

“Com o avanço da redução da temperatura ambiental eles começam a aumentar a sua produção de calor, seja pelo tremor muscular ou pelo aumento em seu metabolismo bioquímico. Tudo isso é controlado pelo sistema nervoso dos animais”, explica.

Fonte: Diário Municipal Anápolis

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