EnglishEspañolPortuguês

COMPANHEIRISMO

Cachorro que ficou 32 horas na mata com idoso desaparecido já ajudou a reencontrá-lo outra vez: 'Amigo da turma', diz tutor

Luiz Carlos Santos, tutor de Max, conta que o cachorro visita as casas da vizinhança frequentemente e é considerado um 'aumigo' do pessoal. Edson Pires ficou 32 horas desaparecido na mata e foi encontrado por conta do animal, em Nova Campina (SP).

22 de janeiro de 2026
Diogo Del Cistia
4 min. de leitura
A-
A+
Foto: Arquivo pessoal

O cachorro que ajudou a encontrar um idoso de 72 anos que ficou desaparecido por 32 horas em uma área de mata fechada em Nova Campina, no interior de São Paulo, é conhecido como um “aumigo” de toda a vizinhança. Segundo o tutor, não foi a primeira vez que o animal acompanhou o homem, diagnosticado com Alzheimer, e ajudou a levá-lo de volta para casa.

Luiz Carlos Santos contou ao g1 que, em um episódio anterior, Edson Pires foi encontrado no mesmo dia, em uma floresta de eucaliptos a cerca de quatro quilômetros de distância da chácara onde mora. Na ocasião, o idoso também retornou para casa com a ajuda de Max, cachorro que costuma circular pelas propriedades da região.

“Minha chácara fica em frente à do Edson e o Max fica solto no terreno. Então, às vezes ele passa debaixo do portão e vai na casa dos outros, é um ‘amigo’ da turma. Meu cachorro também era cuidado e alimentado por ele. Então, o Max o acompanhava com frequência”, diz.

Esta, porém, foi a primeira vez que Max ficou tanto tempo longe de casa. O cachorro, um vira-lata de pelos já brancos, permaneceu ao lado do idoso durante as 32 horas em que ele esteve perdido, em meio à mata fechada, sob chuva e baixas temperaturas.

“Ele nunca sumia. Depois que encontramos os dois, levamos o Edson ao hospital de Nova Campina. Hoje ele está se recuperando. O Max está bem, andando e se alimentando normalmente. Ele precisou tomar remédio para bernes, mas está com a saúde boa”, afirma o tutor.

A cuidadora de Edson, Célia Andrade, contou que o idoso havia saído de casa para comprar uma caixa de leite na residência de um vizinho, mas não retornou. Diante da demora, amigos e moradores da região se mobilizaram para iniciar as buscas por ele.

“O cachorro do vizinho acompanhou ele durante todo esse tempo. No primeiro dia, tentamos procurar, mas não encontramos nada. No dia seguinte, seis amigos que andam a cavalo ajudaram a procurar na mata”, relata.

Do momento em que Edson saiu de casa até ser encontrado passaram-se 32 horas. Durante todo esse período, ele esteve acompanhado por Max, que, mesmo debilitado pela falta de água e comida, conseguiu chamar a atenção do grupo que fazia as buscas.

“Quando entraram em uma estradinha, ouviram o Max dar três gritos bem finos. Meu vizinho chamou e, mesmo sem forças, ele veio correndo na hora”, conta Célia.

Segundo a cuidadora, o local onde Edson foi encontrado era perigoso, com muitos espinhos e uma cratera próxima. O idoso apresentava sangramentos e vários ferimentos pelo corpo.

“Meu vizinho pediu para o Max levá-los até lá. O pessoal foi roçando a mata e avançando aos poucos. O Edson estava sem camiseta, com varizes estouradas e muito debilitado, porque choveu muito e ele passou a noite inteira debaixo do temporal”, diz.

Para a cuidadora, o idoso foi encontrado no momento certo. Ele recebeu atendimento médico, com aplicação de soro e vacinas contra tétano e raiva, e agora se recupera em casa. O estado de saúde dele é considerado estável.

“Se demorasse mais um pouco, ele morreria. Meu marido sentiu de entrar naquele lugar e foi lá que conseguimos achá-lo. Estamos muito cansados, mas o mais importante é que ele está bem”, conclui.

Fonte: G1

    Você viu?

    Ir para o topo