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RIO GRANDE DO SUL

Cachorrinha que "defendeu Jesus" em Sapiranga reencontra família após se perder na enchente de 2024

Após viralizar durante encenação da Paixão de Cristo e ser adotada, ela foi reconhecido por família de São Leopoldo

4 de abril de 2026
Dário Gonçalves
5 min. de leitura
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

A história da cachorrinha que viralizou ao “invadir” a encenação da Paixão de Cristo, em Sapiranga (RS), ganhou um novo capítulo, desta vez, marcado por reencontro e emoção. Após ser adotado nos dias seguintes à repercussão nacional, ela foi reconhecida por uma família de São Leopoldo, que afirma ter perdido a cachorra durante a enchente de 2024.

O reconhecimento veio poucos dias depois da publicação do vídeo pelo Jornal NH — que já soma mais de 2,8 milhões de visualizações e foi reproduzido por diversos veículos de imprensa e páginas do Brasil inteiro.

Ao chegar em casa, a aposentada Nair Cezimbra, 68 anos, foi surpreendida por um comentário da cunhada. “Ela perguntou se teria churrasco para comemorar a volta da minha filha. Eu disse: ‘que filha?’. Aí ela respondeu: ‘a Pulgueria’”, lembra. Sem entender, Nair assistiu ao vídeo e, imediatamente, a família desconfiou de que se tratava da cachorra desaparecida.

Separação durante a tragédia

Pulgueria com Nair antes da separação pela enchente. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ela, a cachorra se perdeu no período mais crítico da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. “A gente saiu de casa com a água pela cintura e fomos para um sobrado do meu irmão com ela. Mas a água chegou lá também. Ele pediu para deixar água e ração e a porta aberta, e foi quando perdemos ela”, relata. Depois disso, vieram relatos de que a cachorra teria sido vista sobre telhados e, mais tarde, resgatada por bombeiros e levada a um abrigo.

“Desde 2024 nunca mais tínhamos visto. Fomos em abrigos em São Leopoldo, Novo Hamburgo, várias cidades”, conta. “Tem pessoas falando que abandonamos ela, nós não fizemos isso. Saímos de casa e quando tentamos voltar, não conseguimos porque a água tinha tomado conta”, acrescenta a filha Cristiane Cezimbra, 43.

A identificação também foi imediata para o aposentado Laerte Cezimbra, 73. Assinante do Jornal VS, ele viu a publicação quando a filha mostrou o vídeo. “Eu disse ‘é ela’. Fomos conferir, olhamos as fotos no site, estava meio de longe, mas eu reconheci”, afirma. A família então entrou em contato com Eliseu, morador de Sapiranga que havia adotado a cachorra após a repercussão.

Reencontro após quase dois anos

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

O encontro aconteceu na quarta-feira (1°/04) e foi decisivo. “Ela reconheceu minha neta, ficou bem doida com ela”, diz Laerte, referindo-se à menina Maria Alice, de 9 anos. A cena reforçou a convicção da família. “A minha emoção… nem te conto”, resume.

Cristiane também se emocionou ao mostrar o vídeo ao pai. “Ele já chorou na hora. O que me chamou atenção foi o jeito que ela se portava com a filha do Eliseu, o mesmo modo que fazia com a Maria, de ficar de pé e abraçar. A gente já estava desistindo de encontrar ela”, conta.

Para a família, o reencontro carrega um significado ainda mais profundo. Segundo Nair, a cachorra — chamada de “Pulgueria” — sempre foi companheira do marido, que enfrenta problemas de saúde. “Ela é muito importante para ele. Ele entrou em depressão, sonhava com ela. Para ele, foi uma benção”, afirma. Ao falar sobre o momento, resume: “Foi um presente de Páscoa.”

Resgatada com oito filhotes

A história da cachorra começou há cerca de quatro anos, quando apareceu na casa da família já grávida de oito filhotes. “Ela chegou com muita sarna, nós tratamos e ela se recuperou. E como vivia se coçando, parecia cheia de pulgas, por isso o nome Pulgueria”, conta Nair.

Após o reencontro, a reação da cachorra também chamou atenção. “Quando trouxemos ela de volta, saiu correndo para a escada da porta, pedindo para entrar. Ela sempre ficava deitada ali”, relata. A casa original, no entanto, foi destruída pela enchente, e a família hoje vive em outra residência no mesmo pátio.

A despedida

Do outro lado da história, a decisão também não foi simples. Eliseu, que havia adotado a cachorra poucos dias antes, conta que optou por devolvê-la ao perceber a ligação com a família.

“Eles vieram, se emocionaram, choraram dizendo que era ela. Esse senhor tem uma doença bem agravada e disse que ela sempre ficava ao lado dele”, relata. Diante disso, tomou a decisão: “Eu pensei: se não for, pelo menos ela vai fazer o papel da outra. Mas eles têm a consciência de que é.”

Mesmo com o pouco tempo de convivência, o vínculo já existia. “Não foi fácil, porque as crianças estavam acostumadas. Mas entramos num consenso de que o melhor era devolver”, afirma.

Para ele, a escolha passa pela empatia. “A gente sabia que ela tinha família antes, alguém que talvez daria mais amor. O importante é que ela está bem e que ele fique bem também. A saúde é prioridade”, conclui.

Fonte: ABC Mais

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