A cachorra Pretinha, que vivia junto com o cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, está sob acompanhamento veterinário em Florianópolis após apresentar alterações clínicas percebidas por sua cuidadora, responsável pelo lar temporário do animal depois das agressões ao companheiro canino. Segundo a veterinária que acompanha o caso, o quadro é estável e novos exames estão em andamento para definição precisa do diagnóstico.
Pretinha já havia passado três dias sob cuidados médicos. Após ser liberada, no sábado (24/01), precisou ser hospitalizada novamente na segunda-feira (26/01).
De acordo com a médica veterinária Fernanda Oliveira, a cuidadora, Carolina Bechelli Zylan, sempre tratou Pretinha e Orelha juntos. Após o ocorrido com o cão, Pretinha foi levada para casa, momento em que foi observada uma leve incontinência urinária. As investigações clínicas foram iniciadas imediatamente.
A veterinária explica que, neste momento, não é possível fechar um diagnóstico definitivo. Os exames iniciais apontaram uma alteração compatível com hemoparasitose — grupo de doenças causadas por protozoários ou bactérias que vivem no sangue, popularmente chamada de “doença do carrapato”. Por isso, serão realizados testes específicos para cada possibilidade, com o objetivo de identificar com precisão a origem do problema e definir o tratamento mais adequado.
— Atualmente, ela se encontra estável, dentro dos parâmetros esperados para esse tipo de alteração — informou a veterinária.
Segundo ela, a evolução do quadro dependerá do acompanhamento dos exames laboratoriais. Ainda assim, comportamentos como demonstrar vontade de se alimentar e brincar são considerados sinais positivos.
A profissional também explica que, na rotina clínica, mudanças bruscas na vida de um animal — como alterações no ambiente ou na convivência — podem impactar aspectos alimentares e imunológicos. No entanto, não é possível afirmar com certeza que o estado de saúde de Pretinha tenha piorado em decorrência da perda do companheiro.
Neste momento, o foco da equipe veterinária é a recuperação do animal. A conduta a ser adotada dependerá dos resultados dos próximos exames e da avaliação do especialista responsável pelo acompanhamento do caso.
— Estamos esperançosos, mas com os pés no chão — concluiu a veterinária.
Relembre o caso do cão Orelha
O cão comunitário Orelha, também conhecido como Preto, vivia há mais de 10 anos na região, segundo a comunidade, e era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores. Após a agressão, o cachorro foi encontrado com vários ferimentos em uma área de mata da Praia Brava e levado ao veterinário por moradores. Não foi possível salvá-lo e ele foi submetido à eutanásia.
Uma das moradoras da Praia Brava fez uma postagem em uma rede social afirmando que o ato chegou a ser filmado por um vigia do local que, ao divulgar as imagens, teria sido ameaçado por parentes dos suspeitos.
Na noite desta segunda-feira (26/01), um advogado e dois empresários foram indiciados pela Polícia Civil por suspeita de coagir uma testemunha no processo do caso do cão comunitário Orelha, que sofreu maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis. Ainda na manhã desta segunda-feira, três mandados de busca e apreensão foram feitos na casa dos indiciados. O objetivo era colher mais provas para a investigação do caso.
Segundo a delegada Mardjoli Adorian Valcaregg, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, os três homens são parentes dos adolescentes suspeitos de cometer o crime contra o animal — dois pais e um tio.
Até o momento, conforme a delegada, mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela polícia como testemunhas. Entre eles estão os síndicos dos condomínios onde moram os suspeitos e moradores. Os adolescentes suspeitos são interrogados pela Delegacia de Adolescente em Conflito com a Lei.
Fonte: NSC Total