O governo brasileiro anunciou, como se fosse um triunfo econômico, um acordo com os Emirados Árabes Unidos que autoriza, a partir de 2025, a exportação de aves nacionais vivas. A medida, celebrada pelo agronegócio como oportunidade bilionária, é extremamente perigosa para a fauna brasileira.
O pacto prevê o envio de animais para zoológicos e criadouros ornamentais, setores que tratam vidas como mercadoria de entretenimento e ostentação. Essa prática implica aprisionar as aves e submetê-las a viagens longas, estressantes e letais, em caixas e contêineres sufocantes.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a iniciativa faz parte da “diversificação da pauta agropecuária”. Na prática, o que se chama de “abertura de mercado” é apenas a expansão da exploração da biodiversidade brasileira, transformada em fonte inesgotável de lucro.
Enquanto autoridades celebram o prestígio de atender um mercado considerado “altamente exigente”, o real interesse dos Emirados Árabes é abastecer zoológicos, coleções privadas e criadouros de luxo, como se os animais fossem objetos. Nesses espaços, aves que poderiam viver livres em seus habitats acabam confinadas, reduzidas a símbolos de status ou simples objetos de contemplação.
A negociação também incentiva o aumento do tráfico, pressionando ainda mais as espécies já ameaçadas. O resultado favorece exclusivamente criadores e comerciantes, que, apesar do discurso de “proteção”, ignoram completamente os direitos animais.
O governo comemora o fato de o Brasil já ter alcançado 404 aberturas de mercado desde 2023, consolidando sua posição no comércio internacional. Mas, por trás dos números, está a transformação de vidas em cifras, em um processo que desconsidera totalmente a sensibilidade e individualidade de cada animal. Cada ave enviada representa um indivíduo que perdeu a liberdade, submetido ao estresse e à exploração contínua.
O transporte internacional de animais quase sempre resulta em mortes durante o percurso. Mesmo os que sobrevivem passam o resto da vida aprisionados em ambientes artificiais, privados do voo e de seus comportamentos naturais.
Em vez de assumir protagonismo global na proteção da fauna, o Brasil opta por estreitar laços comerciais à custa da vida silvestre. O acordo com os Emirados Árabes é um retrocesso e confirma a visão oficial de que a vida dos animais não possui valor, apenas preço.