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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Brasil deve sofrer impactos severos do calor extremo, diz estudo

Pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Oxford analisa as consequências de diferentes cenários de aquecimento sobre populações

2 de fevereiro de 2026
Alessandro Giannini
2 min. de leitura
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Foto: chuchart duangdaw/Getty Images

Um estudo publicado na revista Nature Sustainability aponta que quase 3,8 bilhões de pessoas podem enfrentar calor extremo até 2050, com impactos particularmente severos em países como Brasil, Indonésia e Nigéria. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Oxford, analisou as consequências de diferentes cenários de aquecimento sobre as populações expostas a temperaturas extremas no futuro.

Segundo o principal autor do estudo, Jesus Lizana, a população que enfrenta condições de calor extremo deve quase dobrar até meados do século se a temperatura média global subir 2°C acima dos níveis pré-industriais. A maior parte do impacto será sentida ainda nesta década, à medida que o mundo se aproxima rapidamente da marca de 1,5°C. “A principal conclusão é que a necessidade de adaptação ao calor extremo é mais urgente do que se sabia anteriormente”, afirmou o cientista ambiental, destacando que nova infraestrutura, como ar-condicionado sustentável ou resfriamento passivo, precisa ser construída nos próximos anos.

A demanda por refrigeração aumentará drasticamente em nações em desenvolvimento, onde centenas de milhões de pessoas não têm acesso a ar-condicionado ou outros meios de enfrentar o calor. Além do Brasil, países como República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul e Laos registraram o maior aumento de temperaturas perigosamente altas. Índia, Filipinas e Bangladesh teriam as populações mais impactadas. Países tropicais e equatoriais, especialmente na África, registrarão o maior aumento nos “dias de grau de refrigeração”, indicador usado para calcular quantos dias exigem algum tipo de resfriamento.

Mas até mesmo nações mais ricas com climas tradicionalmente mais frios enfrentam desafios significativos. Em um cenário de aquecimento global de 2°C, países como Canadá, Rússia e Finlândia podem ter forte queda nos dias que exigem aquecimento interno, porém um aumento moderado nas temperaturas mais quentes seria sentido de forma aguda. Nesses países, casas e edifícios são projetados para maximizar a incidência solar e reduzir ventilação, e o transporte público opera sem ar-condicionado, tornando-os vulneráveis ao calor.

A exposição prolongada ao calor extremo pode sobrecarregar os sistemas naturais de resfriamento do corpo, causando sintomas que vão de tontura e dores de cabeça a falência de órgãos e morte. Como alertou a coautora Radhika Khosla, “as pessoas mais desfavorecidas são as que arcarão com o maior peso dessa tendência”, mas países mais ricos “estão perigosamente despreparados para o calor que chegará nos próximos anos”.

Fonte: Revista Veja

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