O boto-cor-de-rosa resgatado na última terça-feira (17/03) em um canal de Belém, no Pará, morreu na madrugada desta quinta-feira (19/03), apesar dos esforços de veterinários do Ibama e parceiros.
O animal, encontrado em situação crítica, foi atendido no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Benevides, na região metropolitana de Belém, e transferido para o Instituto Bicho D’Água, na cidade de Castanhal, mas não resistiu.
Desde o resgate do boto-cor-de-rosa em Belém, os profissionais observaram escoriações graves, baixo escore corporal (animal abaixo do peso) e sinais de estresse. Encaminhado ao Cetas Benevides, o cetáceo evoluiu bem até a tarde de quarta-feira (18/03), alimentando-se e mostrando atividade. No entanto, à noite houve piora rápida, e ele faleceu por volta das 4h no centro em Castanhal.
O atendimento ao boto-cor-de-rosa morto no Pará integra o Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos das Bacias Pará-Maranhão e Foz do Amazonas. A iniciativa é exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades da TGS na Margem Equatorial.
Em nota, o Ibama e o Instituto Bicho D’Água destacaram que “empregaram todos os esforços em prol da recuperação do boto resgatado e lamentam profundamente a morte do animal”.
Chuvas intensas
O animal tinha sido resgatado no Canal União, na Bacia do Tucunduba, no bairro do Marco, em Belém, pode ter sido arrastado até o local pelas chuvas intensas e maré alta, segundo especialista.
Segundo o educador ambiental Leonel Ferreira, do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), o boto pode ter sido desorientado pela força das águas.
“Ele deve ter ficado desnorteado e acabou sendo levado pela correnteza”, explicou.
A presença inédita do animal em área urbana chamou a atenção de quem passava pelo local. Leonel destaca que a transformação dos cursos d’água ao longo do tempo pode contribuir para situações como essa.
A área onde o boto foi encontrado faz parte da bacia do rio Tucunduba, que já foi um rio no passado.
“Com o crescimento desordenado e a urbanização, esses espaços foram sendo modificados e, muitas vezes, completamente concretados. Isso altera a dinâmica natural e afeta diretamente a fauna”, afirmou.
Além do crescimento das áreas urbanas, o especialista não descarta a relação com as mudanças climáticas.
“As mudanças climáticas influencia na forma como esses animais se comportam. Fora o fato de nós estarmos avançando cada vez mais aos espaços deles, então isso pode ocorrer mais vezes”, explica.
Participação da população
O resgate contou com apoio de moradores da área, que acionaram os órgãos responsáveis e evitaram qualquer tipo de agressão ao animal.