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NÃO RESISTIU

Boto-cor-de-rosa resgatado em canal de Belém (PA) morre apesar de tratamento

Ibama lamentou óbito do animal silvestre no Pará. Resgate fazia parte de projeto de monitoramento de cetáceos na Foz do Amazonas.

20 de março de 2026
5 min. de leitura
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Foto: Reprodução / Redes sociais

O boto-cor-de-rosa resgatado na última terça-feira (17/03) em um canal de Belém, no Pará, morreu na madrugada desta quinta-feira (19/03), apesar dos esforços de veterinários do Ibama e parceiros.

O animal, encontrado em situação crítica, foi atendido no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Benevides, na região metropolitana de Belém, e transferido para o Instituto Bicho D’Água, na cidade de Castanhal, mas não resistiu.

Desde o resgate do boto-cor-de-rosa em Belém, os profissionais observaram escoriações graves, baixo escore corporal (animal abaixo do peso) e sinais de estresse. Encaminhado ao Cetas Benevides, o cetáceo evoluiu bem até a tarde de quarta-feira (18/03), alimentando-se e mostrando atividade. No entanto, à noite houve piora rápida, e ele faleceu por volta das 4h no centro em Castanhal.

O atendimento ao boto-cor-de-rosa morto no Pará integra o Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos das Bacias Pará-Maranhão e Foz do Amazonas. A iniciativa é exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades da TGS na Margem Equatorial.

Em nota, o Ibama e o Instituto Bicho D’Água destacaram que “empregaram todos os esforços em prol da recuperação do boto resgatado e lamentam profundamente a morte do animal”.

Chuvas intensas

O animal tinha sido resgatado no Canal União, na Bacia do Tucunduba, no bairro do Marco, em Belém, pode ter sido arrastado até o local pelas chuvas intensas e maré alta, segundo especialista.

Segundo o educador ambiental Leonel Ferreira, do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), o boto pode ter sido desorientado pela força das águas.

“Ele deve ter ficado desnorteado e acabou sendo levado pela correnteza”, explicou.

A presença inédita do animal em área urbana chamou a atenção de quem passava pelo local. Leonel destaca que a transformação dos cursos d’água ao longo do tempo pode contribuir para situações como essa.

A área onde o boto foi encontrado faz parte da bacia do rio Tucunduba, que já foi um rio no passado.

“Com o crescimento desordenado e a urbanização, esses espaços foram sendo modificados e, muitas vezes, completamente concretados. Isso altera a dinâmica natural e afeta diretamente a fauna”, afirmou.

Além do crescimento das áreas urbanas, o especialista não descarta a relação com as mudanças climáticas.

“As mudanças climáticas influencia na forma como esses animais se comportam. Fora o fato de nós estarmos avançando cada vez mais aos espaços deles, então isso pode ocorrer mais vezes”, explica.

Participação da população

O resgate contou com apoio de moradores da área, que acionaram os órgãos responsáveis e evitaram qualquer tipo de agressão ao animal.

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