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ESTUDO

Borboletas-lobas estão perdendo suas manchas por causa do aquecimento global

7 de fevereiro de 2026
Filipe Pimentel Rações
2 min. de leitura
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Borboleta-loba com apenas um mancha preta nas asas posteriores. Foto: Richard ffrench-Constant

À medida que a temperatura do planeta aumenta, as borboletas-lobas (Maniola jurtina) estão perdendo as manchas escuras que têm em suas asas. Acredita-se que as manchas em forma de olho que eles têm nas asas anteriores servem para afugentar predadores e que as menores que eles têm nas asas posteriores são usadas como mecanismo de camuflagem.

Uma pesquisa liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, descobriu que as fêmeas dessa espécie de lepidópteros que se desenvolvem a uma temperatura ambiente de 11 graus Celsius têm seis manchas na face inferior das asas posteriores. Contudo, as que se desenvolvem a temperaturas mais elevadas apresentam menos manchas.

Os resultados do trabalho foram revelados em um artigo publicado revista ‘Ecology and Evolution’ . Richard ffrench-Constant, um dos principais autores, explica, em comunicado, que “cada vez menos dessas manchas nas asas posteriores aparecem quando as fêmeas experimentam temperaturas mais altas durante a fase de pupa”, um estágio do desenvolvimento em que a futura borboleta está envolvida por uma crisálida.

Além da perda de manchas nas asas posteriores, os cientistas encontraram também fêmeas que perderam as grandes manchas em forma de olho das asas anteriores.

Com base nessas constatações, o investigador argumenta que “isso sugere que as borboletas adaptam a sua camuflagem com base nas condições”, detalhando que “com menos manchas podem ser mais difíceis de detectar na relva seca e acastanhada que seria mais comum num clima mais quente”.

Contudo, o mesmo não foi observado nos machos, e a equipe acredita que isso pode ser devido ao fato de as manchas desempenharem uma função importante na reprodução, para atrair as fêmeas.

Até agora pensava-se que as variações nas manchas nas asas das borboletas-lobas dentro de uma mesma população refletia o que é conhecido como polimorfismo genético, ou seja, “a coexistência de múltiplas formas genéticas numa mesma população”. Mas este estudo vem revelar que, afinal, as diferenças resultam de uma ‘plasticidade térmica’, uma capacidade através da qual as borboletas reagem e adaptam-se às mudanças de temperatura nos ambientes em que se desenvolvem.

Com um planeta cada vez mais quente, os pesquisadores preveem que as manchas das borboletas-lobas fêmeas diminuirão ano a ano. E Richard ffrench-Constant confessa estar surpreso com o que encontraram: “essa é uma consequência inesperada das mudanças climáticas”, no âmbito das quais “tendemos a pensar que as espécies estão se movendo para o norte, em vez de mudar sua aparência”.

Fonte: Greensavers

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