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INSENSIBILIDADE

Bastidores da Copa do Mundo 2022: gatos em situação de rua sofrem com abandono e cães são vítimas de preconceito no Catar

24 de novembro de 2022
2 min. de leitura
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Foto: Bruno Marinho

Doha tem gatos em todo lugar. Literalmente. No centro de treinamento da seleção, no centro de mídia dos jornalistas credenciados para a Copa do Mundo, no corredor do apartamento. Nas ruas, especialmente depois que o calor abaixa, a partir das 16h, aproximadamente. Miam diferente dos gatos do Brasil, sem exagero. Têm sotaque árabe.

Um artigo publicado pela Universidade Hamad Bin Khalifa, em 2016, sobre a necessidade de controle de doenças propagadas por gatos, dizia que o país contava na época com uma população estimada entre 2 e 3 milhões de gatos. Contando que esse número se manteve estável, é uma proporção impressionante: há um gato para cada habitante do país.

Eles passeiam pelos Souq Waqifs de Doha e Al Wakrah, não fazendo compras ou assistindo às apresentações culturais, e sim atrás de comida. São ariscos porque são gatos em situação de rua. Foram introduzidos no país na década de 1960, estratégia dos cataris para conter os perigos causados pela quantidade de ratos no país. Resolveram um problema, criaram outro.

Cachorros são alvo de intolerância

É claro, existem os gatos domésticos. Eles ilustram propagandas para antialérgicos, fazem parte da composição familiar catari. Mas os sem lar é que são uma questão, eles se proliferaram rapidamente tanto nas áreas urbanas quanto rurais porque não possuem um predador natural no país. Acabaram se transformando em um vetor de transmissão de vermes e protozoários aos humanos.

Enquanto isso, cães não são aceitos no país. Simplesmente não existem nas ruas. A explicação para isso é religiosa. A maior parte dos eruditos do islamismo afirmam que o animal é impuro. Abu Hurarya, um dos seguidores de Mohammad, afirma que o profeta disse que “Se um cachorro beber de um recipiente seu, purifique-o lavando-o sete vezes, sendo a primeira com areia”.

Há movimentos entre muçulmanos de diferentes correntes para quebrar a resistência com os cachorros. Países mais liberais quanto aos costumes, como a Turquia, possuem grupos que criam cães como animais domésticos. Lá no Catar, isso parece não existir com tanta força.

Fonte: O Globo 

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