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ESTUDO

Avanço do desmatamento em restingas da Mata Atlântica preocupa ambientalistas

Mais de 70% do desmatamento registrado neste ecossistema entre 2023 e 2024 aconteceu no Ceará. Expansão imobiliária e agricultura são vetores

18 de março de 2026
Daniele Bragança
2 min. de leitura
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A Prefeitura de Caucaia, região Metropolitana de Fortaleza (CE), construiu três espigões na praia de Icaraí para conter a erosão costeira que já dura décadas na cidade. Estruturas de pedra geraram as chamadas “praias de bolso”, emolduradas por pedras. Foto: Jarbas Oliveira/Folhapress

Estudo publicado na última semana pela organização SOS Mata Atlântica mostrou que o desmatamento tem avançado a níveis alarmantes nas restingas do bioma, principalmente no estado do Ceará. Expansão imobiliária e atividades agrícolas são os maiores vetores de pressão.

O documento, intitulado “Restinga sob pressão – Análise da supressão da vegetação costeira da Mata Atlântica no litoral do Ceará”, mostrou que o país perdeu 453 hectares deste ecossistema costeiro entre 2023 e 2024, sendo que 76% desta supressão ocorreu nas costas cearenses.

As restingas são depósitos arenosos paralelos à linha da costa, geralmente de forma alongada, com cobertura vegetal em mosaico e fauna única. O ecossistema é típico da Mata Atlântica e tem papel importante na proteção do litoral contra erosão, eventos climáticos extremos e salinização da água.

A perda desta vegetação no Ceará tem acontecido principalmente pelo avanço do cultivo de caju sobre as áreas de vegetação nativa e pela expansão de grandes empreendimentos imobiliários, incluindo os de alto padrão.

Um dos casos documentados no estudo é o da instalação de um resort dentro da Área de Proteção Ambiental da Lagoa de Jijoca e na zona de amortecimento do Parque Nacional de Jericoacoara.

“A restinga é parte essencial da Mata Atlântica e presta serviços ecossistêmicos decisivos para a proteção da costa e da população. O que acontece no Ceará precisa ser compreendido como um alerta nacional”, alerta Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Fonte: O Eco

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