Medicamentos que fazem parte da rotina de muitas famílias podem representar risco grave, e até fatal, quando administrados em animais domésticos sem orientação veterinária. A prática da automedicação em animais, ainda comum entre tutores, preocupa por causa do alto índice de intoxicações e do atraso no diagnóstico de doenças.
Onde mora o perigo
Leslie Domingues, docente de medicina veterinária, explica que um dos maiores perigos está na diferença entre o organismo humano e o animal.
“Cães e gatos têm uma capacidade metabólica diferente da nossa. Por isso, um medicamento de uso rotineiro para humanos pode ser letal para um animal domésticos.”
Além da intoxicação, medicar o animal sem acompanhamento profissional pode mascarar doenças sérias. Isso acontece porque o remédio alivia temporariamente sintomas como dor ou febre — enquanto a enfermidade continua evoluindo silenciosamente. “Quando aliviamos a dor sem tratar a causa, isso atrasa o diagnóstico correto.”
Entre os medicamentos mais perigosos para os animais estão alguns bastante comuns nas casas brasileiras, como paracetamol, aspirina e diclofenaco, conhecido comercialmente como Cataflam. De acordo com a veterinária, esses remédios podem provocar reações graves e até levar à morte.
Fique atento!
Os sinais de intoxicação variam, mas a professora do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp) cita os mais frequentes:
- Vômito, inclusive com sangue;
- Diarreia;
- Dificuldade para respirar.
- Tremores, perda de equilíbrio e andar cambaleante;
- Convulsões.
Diante de qualquer suspeita de envenenamento, a orientação é procurar atendimento veterinário imediatamente. Informar qual medicamento foi administrado, a quantidade ingerida e, se possível, levar a embalagem do produto ajuda no atendimento e acelera a identificação do princípio ativo.
“Sob nenhuma circunstância tente reverter o quadro em casa com misturas caseiras, leite, receitas de redes sociais ou indução ao vômito”, ressalta.
Por último, ela destaca que a dosagem de medicamentos em animais exige cálculos preciso e individualizados — considerando fatores como espécie, raça, porte e condição. “Uma substância segura para cães pode levar um gato ao óbito. Além disso, dependendo do estado de saúde do paciente, a dose considerada padrão para a espécie pode se tornar tóxica”, conclui.
Fonte: Metrópoles