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ESTUDO

Ártico entra em nova era - perigosa - de eventos climáticos extremos, alerta estudo

O trabalho foi liderado por pesquisadores do Instituto Meteorológico Finlandês, com a participação de cientistas de instituições internacionais,. Trata-se do primeiro estudo a analisar de forma abrangente as mudanças de longo prazo no chamado bioclima do Ártico

10 de janeiro de 2026
4 min. de leitura
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Foto: Hillebrand/USFWS via Wikimedia Commons

O regime climático do Ártico está vivendo uma mudança profunda, com eventos extremos, antes raros, tornando-se muito mais frequentes nas últimas décadas e colocando em risco ecossistemas frágeis, a fauna, a flora e os modos de vida das populações que habitam a região. É o que aponta um novo estudo internacional publicado na revista Science Advances, conforme conta o site Phys.org.

A pesquisa sugere que o Ártico entrou em uma “nova era” de extremos climáticos, marcada não apenas pelo aumento das temperaturas médias, mas também pela intensificação de fenômenos como ondas de calor prolongadas, geadas fora de época durante a estação de crescimento das plantas e períodos anormalmente quentes no inverno.

O trabalho foi liderado por pesquisadores do Instituto Meteorológico Finlandês, com a participação de cientistas de instituições internacionais, entre elas a Universidade de Sheffield. Trata-se do primeiro estudo a analisar de forma abrangente as mudanças de longo prazo no chamado bioclima do Ártico — o conjunto de condições climáticas que influencia diretamente os organismos vivos.

Ao examinar dados que cobrem mais de 70 anos, os cientistas observaram que, em muitas áreas, alguns eventos extremos só passaram a ocorrer nos últimos 30 anos. Um dos exemplos mais preocupantes é o aumento dos episódios de chuva sobre a neve, fenômeno conhecido como rain-on-snow. Hoje, esse tipo de evento já afeta novas regiões que somam mais de 10% da área terrestre do Ártico.

Quando a chuva cai sobre a neve, formam-se camadas de gelo que dificultam o acesso de mamíferos ao alimento. No caso das renas, por exemplo, o gelo impede que elas alcancem os líquens de que dependem para se alimentar durante o inverno, elevando o risco de mortalidade e afetando diretamente a subsistência de comunidades que vivem da criação desses animais.

O estudo também identificou áreas consideradas “hotspots” de mudanças climáticas, onde tanto as alterações sazonais quanto os eventos extremos foram especialmente intensos. Esses pontos críticos incluem regiões da Escandinávia Ocidental, do Arquipélago Ártico Canadense e da Sibéria Central.

Para os pesquisadores, os impactos vão muito além da biodiversidade local. Eventos climáticos extremos podem provocar a morte de plantas em grandes extensões e aumentar a mortalidade de animais, com efeitos em cascata sobre os ecossistemas.

Além disso, ao comprometer a capacidade do Ártico de absorver carbono, essas mudanças podem acelerar ainda mais o aquecimento global, com consequências que extrapolam as fronteiras da região polar.

Ao analisar diferentes tipos de extremos de forma combinada, o estudo conclui que pelo menos um novo evento climático extremo passou a ocorrer em cerca de um terço de toda a área terrestre do Ártico. Isso indica que os ecossistemas da região estão sendo expostos, cada vez mais, a condições climáticas inéditas em sua história recente.

A pesquisa se baseou em dados modernos de reanálise atmosférica, que combinam observações com modelos climáticos para oferecer um retrato detalhado das condições atmosféricas e da superfície terrestre — uma ferramenta fundamental em regiões remotas, onde as medições diretas são escassas.

Segundo os autores, compreender essas transformações é essencial não apenas para monitorar a biodiversidade do Ártico, mas também para orientar estratégias de adaptação às mudanças climáticas, em um momento em que os sinais de desequilíbrio na região se tornam cada vez mais evidentes.

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