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POLUIÇÃO

'Armadilha' evolutiva induz tartarugas-marinhas jovens à ingestão de plástico

Pesquisadores acham fragmentos em vísceras de espécies que adaptaram-se para desenvolverem-se em oceano aberto, que possui áreas altamente poluídas

5 de setembro de 2021
Seon Hye Shin | Redação ANDA
3 min. de leitura
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Foto: Ilustração | Pixabay

Tartarugas-marinhas jovens estão ingerindo grandes quantidades de plástico, com a poluição dos oceanos tornando os habitats que uma vez foram ideais para seu desenvolvimento em um risco, descobriram pesquisadores.

O impacto do plástico na vida selvagem é uma crescente área de pesquisa, e estudos revelaram casos angustiantes de animais marinhos sofrendo lesões ou morrendo após a ingestão de tais materiais ou emaranhando-se neles.

Um estudo estimou que entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas de plástico entraram nos oceanos apenas em 2010, enquanto uma recente avaliação da agência de ciência do governo australiano, CSIRO, descobriu que animais de 80 espécies diferentes, incluindo tartarugas, estavam sendo mortas pela ingestão de plástico.

Pesquisadores estudando tartarugas marinhas jovens, de recém-nascidos à aquelas com cascos com menos de 50 cm de tamanho, dizem que a presença de plástico nos oceanos significa que as adaptações evolutivas que uma vez ajudaram essas criaturas a crescer agora estão colocando-as em risco.

No jornal Frontiers in Marine Science, pesquisadores do Reino Unido e Austrália reportaram como eles procuraram pela presença de plástico nas vísceras de 121 tartarugas marinhas de cinco espécies – verde, mestiça, oliva, de pente e australiana. As tartarugas eram do Oceano Índico na costa oeste da Austrália, e do Oceano Pacífico da costa leste da Austrália, e estavam encalhadas ou foram capturadas não intencionalmente.

Os resultados revelam que espécimes de todas as espécies – exceto as tartarugas-de-pente, das quais apenas sete espécimes foram examinados – apresentaram fragmentos de plásticos em seu trato gastrointestinal. A proporção afetada era maior entre as tartarugas do Oceano Pacífico.

Entre as tartarugas-verde destas águas, 83% continham plástico – comparadas com 9% do Oceano Índico – com o material contabilizado até 0.9% de sua massa corporal total. Um espécime de tartaruga-verde do Oceano Pacífico apresentou 144 pedaços de plástico ingerido com mais de 1 mm de tamanho.

A equipe notou que a maior parte do plástico encontrado dentro das tartarugas era polietileno ou polipropileno, porém não foi possível determinar as fontes específicas destes polímeros amplamente utilizados.

A Dra. Emily Duncan, do Centro para Ecologia e Conservação no Campus Penryn de Exeter em Cornwall e co-autora do estudo, disse que tartarugas jovens haviam evoluído para desenvolver-se em oceano aberto, onde predadores são relativamente escassos.

“Contudo, nossos resultados sugerem que esse comportamento evolutivo agora as conduz a uma ‘armadilha’ – levando-as a áreas altamente poluídas como o Campo de Lixo do Grande Pacífico,” disse ela em um depoimento.

Duncan adicionou que os efeitos da ingestão de plástico em criaturas jovens ainda não estavam claros, mas alertou que isso poderia ser prejudicial aos níveis de população. “Tartarugas marinhas jovens geralmente não possuem uma dieta especializada – elas alimentam-se de qualquer coisa, e nosso estudo indica que isso inclui plástico,” disse Duncan.

Mark Wright, diretor de ciências no World Wide Fund for Nature, que não fez parte do estudo, disse que seis em sete espécies de tartarugas marinhas estavam ameaçadas de extinção, e a poluição de plástico ainda é mais um dos perigos que elas enfrentam.

“Relativamente poucas tartarugas-marinhas jovens sobrevivem seu primeiro ano, então é imperativo que nós reduzamos as ameaças para garantir a sobrevivência a longo prazo dessas espécies extraordinárias,” disse ele.

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