O SeaWorld Orlando anunciou no domingo (21/12) a morte da orca Katina. Ela tinha cerca de 50 anos e passou quase 40 anos confinada, longe do oceano onde nasceu e poderia ter vivido por décadas a mais.
Katina foi capturada ainda jovem, em meados da dos anos 1970, e levada para o SeaWorld no fim daquela mesma década. Desde então, sua vida se resumiu a tanques de concreto, apresentações coreografadas e rotinas controladas.
A empresa informou que sua saúde se deteriorou com a idade e que equipes veterinárias acompanharam o quadro de perto, afirmando que decisões foram tomadas para preservar seu bem-estar. Nenhum protocolo médico, no entanto, é capaz de compensar décadas de privação, isolamento social forçado e ausência de estímulos naturais que definem a vida de uma orca em liberdade.
Descrita pelo parque como dona de uma personalidade marcante, conhecida por gestos repetidos e movimentos rápidos na água, Katina também foi apresentada como uma espécie de referência para as demais orcas do local. Organizações que acompanham a situação desses animais já haviam apontado que, quando ela se recusava a participar de espetáculos, as outras a seguiam. Esse comportamento, tratado como curiosidade, revela liderança, consciência social e vínculo entre indivíduos, traços incompatíveis com a lógica de exibição que sustenta esse tipo de parque.
Apesar do SeaWorld ter afirmado no anúncio que Katina encantou milhões de visitantes, as orcas não existem para inspirar plateias a partir do confinamento. São animais com estruturas familiares complexas, longos deslocamentos diários e expectativa de vida que, na natureza, pode chegar a 90 anos. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica indicam que fêmeas vivem em média cerca de 50 anos, mas esse número é diminuído justamente por mortes prematuras associadas à interferência humana, incluindo captura e cativeiro.