Após 23 dias de escavações intensas, o corpo de Dagmar Grimm Streger, tutora da cachorra Beth, foi localizado a cerca de 30 metros de profundidade em um poço no sítio onde ela morava em Bauru (SP). Beth ficou conhecida por fazer uma vigília na cratera no entorno de onde o corpo de sua tutora foi jogado.
Enquanto máquinas e equipes avançavam sobre a terra revirada, a cachorra Beth, com mais de 10 anos, permaneceu por 23 dias no entorno da cratera esperando por sua tutora. Ela e os outros cães que viviam no sítio receberam cuidados diários por servidores municipais, vizinhos e equipes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Semab) enquanto esperavam por adoção.
Com a confirmação da morte de Dagmar, o destino deles ganhou atenção especial. Segundo apuração, os quatro cães que viviam na propriedade, três fêmeas, sendo uma filhote, e um macho, foram adotados por amigos e vizinhos após o desaparecimento da idosa. Durante o período de buscas, trabalhadores da Prefeitura de Bauru também auxiliaram nos cuidados, garantindo alimentação, água e acompanhamento da saúde dos cachorros.
Dagmar era conhecida na cidade pela rotina simples e pelo amor pelos animais. Após a morte do marido, há cerca de quatro anos, passou a viver sozinha no sítio, mantendo os cuidados com os animais, acompanhada apenas de um casal de caseiros, hoje presos e suspeitos de envolvimento no crime.
Amigos e familiares relatam que a ligação da idosa com os animais era profunda e constante. “A maior preocupação dela sempre foram os animais”, disse uma amiga em entrevista após o desaparecimento.
A afilhada, Dulcineia Miragaia, que hoje mora em Valinhos (SP), descreveu Dagmar como “amável, generosa e apaixonada pelos animais”, lembrando que foi criada no sítio desde a infância e acompanhou a construção da propriedade ao longo dos anos.