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SAÚDE MENTAL

Ansiedade e depressão em animais domésticos são reflexos do estilo de vida dos tutores

A saúde mental dos animais de cães e gatos são ligados ao ritmo de vida dos responsáveis e à falta de estímulos diários

11 de janeiro de 2026
3 min. de leitura
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A saúde mental dos animais domésticos passa a ocupar espaço central na rotina de consultórios veterinários, com aumento de casos de ansiedade e depressão em cães e gatos. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), mais de 35% dos cães atendidos em clínicas urbanas apresentam alterações comportamentais relacionadas ao estresse.

Profissionais da medicina veterinária identificam que o bem-estar emocional dos animais está diretamente ligado ao estilo de vida de quem cuida deles. Rotinas aceleradas, longos períodos de ausência em casa e falta de estímulos físicos e mentais são apontados como fatores que contribuem para o desequilíbrio comportamental dos animais domésticos.

O médico veterinário e diretor geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, explica que cães e gatos absorvem o comportamento humano e reagem às mudanças emocionais e ambientais dos responsáveis. Ele destaca que o ambiente doméstico e a forma como a rotina é organizada influenciam de forma intensa o estado emocional dos animais.

Para Flosi, não se trata apenas de oferecer alimentação adequada e cuidados básicos de saúde. A forma como o responsável lida com o próprio estresse, o tempo que passa fora de casa e a constância da rotina diária também interfere no comportamento do animal.

“Quando o responsável pelo animal vive sob estresse, trabalha demais ou muda de rotina constantemente, o animal sente. Eles percebem a ausência, a tensão e o desequilíbrio do ambiente. E isso impacta diretamente o comportamento e a saúde deles”, afirma o veterinário.

Sinais de estresse em cães e gatos

Os sinais de alerta de problemas emocionais em animais costumam aparecer no dia a dia e exigem atenção. Entre os sintomas mais observados estão automutilação, lambedura compulsiva, latidos ou miados excessivos, perda de apetite e apatia. Esses comportamentos indicam que o animal tem dificuldade em lidar com o ambiente em que vive.

Em gatos, alguns sinais se tornam ainda mais marcantes. É comum que animais estressados passem a urinar fora da caixa de areia, evitem contato social ou busquem se esconder com frequência. Mudanças repentinas de comportamento podem indicar que algo na rotina ou no ambiente está causando desconforto.

Flosi reforça que alterações desse tipo não devem ser vistas apenas como “manha” ou desobediência. Segundo ele, são manifestações de sofrimento emocional que precisam ser investigadas e, quando necessário, tratadas com acompanhamento profissional.

Papel da rotina e do ambiente no bem-estar

De acordo com o veterinário, a prevenção de quadros de estresse e ansiedade em cães e gatos depende, principalmente, de uma rotina estruturada, de tempo de qualidade com o animal e de enriquecimento ambiental. A estabilidade do dia a dia ajuda o animal a se sentir seguro e a entender o que esperar do ambiente em que vive.

Flosi ressalta que o vínculo entre responsável e animal é um dos pilares desse equilíbrio. Momentos de interação, atenção e afeto são apontados como fundamentais para a saúde emocional, assim como a oferta de estímulos que ocupem o tempo e a mente do animal ao longo do dia.

“A saúde emocional também é parte do bem-estar animal. Assim como nós, eles precisam de estímulo, afeto e estabilidade. O responsável pelo animal deve compreender que cuidar do emocional do animaç é cuidar da saúde como um todo”, diz o especialista.

Para o veterinário, o reconhecimento de que cães e gatos podem desenvolver problemas emocionais é um passo importante para que os responsáveis busquem ajuda especializada. A orientação é observar o comportamento, identificar mudanças e, diante de sinais persistentes, procurar atendimento em clínica veterinária.

Ao incorporar a saúde mental na rotina de cuidados, os responsáveis contribuem para reduzir quadros de estresse, ansiedade e depressão em animais domésticos. A avaliação do ambiente doméstico, o ajuste da rotina e a oferta de mais estímulos tornam-se parte do cuidado integral com o animal.

Fonte: Band

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