Entre vales gelados e encostas rochosas do noroeste da China, um pequeno mamífero desperta curiosidade e surpresa em quem cruza seu caminho: o pika-de-Ili. Extremamente raro, com menos de mil indivíduos estimados na natureza, ele vive escondido nas montanhas e cada novo registro em campo é tratado como um tesouro de informação para os pesquisadores que tentam entender e proteger essa espécie discreta.
O que torna o pika-de-Ili um animal tão especial e pouco conhecido
Descrito pela ciência apenas na década de 1980, o pika-de-Ili ocupa um espaço muito particular dentro dos ecossistemas de montanha. É um animal de pequeno porte, pouco maior que um coelho-anão, com cerca de 20 centímetros, orelhas arredondadas e pelagem espessa, adaptada ao frio intenso.
Apesar da aparência considerada fofa em muitas reportagens e fotos de expedições, sua presença raramente é notada. Essa discrição, somada ao terreno difícil, ajuda a explicar por que ainda há tão poucas informações sobre sua real situação populacional e seus hábitos diários.
Como o nome pika-de-Ili se tornou a principal referência sobre a espécie
A expressão pika-de-Ili passou a ser usada internacionalmente após o primeiro registro confirmado do animal nas montanhas de Tian Shan, na região de Xinjiang, no noroeste da China. Desde então, o nome virou ponto de partida para estudos, relatórios e ações de conservação voltadas a esse pequeno mamífero de alta montanha.
O registro inicial, em meados da década de 1980, abriu caminho para investigações sobre origem, hábitos e distribuição da espécie. Instituições chinesas começaram a catalogar avistamentos esporádicos, quase sempre em locais muito remotos, acessíveis apenas após longas caminhadas por terrenos íngremes e pedregosos.
Onde vive o pika-de-Ili e por que seu habitat é tão restrito
O pika-de-Ili está associado às altitudes elevadas da cordilheira de Tian Shan, em encostas frias, cheias de rochas, fendas e blocos soltos. Nesses ambientes, encontra abrigo entre as pedras e se alimenta principalmente de plantas, ervas e gramíneas que crescem durante o curto verão das montanhas.
Esse tipo de habitat é naturalmente fragmentado, formando “ilhas” de ambiente adequado separadas por vales e encostas menos favoráveis. Com isso, grupos de pika-de-Ili podem ficar isolados, o que reduz a troca genética e aumenta a vulnerabilidade a mudanças rápidas, como o derretimento acelerado da neve.