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EQUILÍBRIO

Animais "invisíveis" ajudam a reduzir o aquecimento global

Invisíveis a olho nu, organismos do oceano transportam carbono para as profundezas e ajudam a equilibrar o clima do planeta

7 de março de 2026
Lucas Machado
3 min. de leitura
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Foto: Pexels

Quando se fala em aquecimento global, a atenção costuma se voltar para florestas, combustíveis fósseis e grandes sistemas industriais. Mas parte importante do equilíbrio climático do planeta depende de organismos quase imperceptíveis a olho nu. Nos oceanos, animais microscópicos conhecidos como zooplâncton desempenham um papel decisivo na retirada de carbono da atmosfera, um serviço ambiental silencioso, mas fundamental para frear o avanço das mudanças climáticas.

Essa contribuição foi quantificada no estudo publicado na revista científica Limnology and Oceanography. Segundo o artigo, o zooplâncton atua como um agente ativo no ciclo global do carbono, ajudando a transportar grandes quantidades de CO₂ da superfície dos oceanos para regiões profundas, onde esse carbono pode permanecer estocado por décadas ou até séculos.

O que é o zooplâncton e por que ele importa

O zooplâncton é formado por pequenos animais marinhos, como copépodes, krill e larvas de diferentes espécies. Embora minúsculos individualmente, esses organismos estão presentes em enormes quantidades e ocupam uma posição estratégica na cadeia alimentar marinha. De acordo com o estudo, sua importância vai muito além de servir de alimento para peixes e mamíferos marinhos.

Os autores explicam que o zooplâncton funciona como uma ponte entre o carbono capturado pelo fitoplâncton e o armazenamento desse carbono nas profundezas do oceano.

Essa mediação biológica faz com que o carbono deixe de circular rapidamente entre oceano e atmosfera, reduzindo sua concentração atmosférica.

A bomba biológica de carbono dos oceanos

A pesquisa detalha o funcionamento da chamada bomba biológica de carbono, mecanismo natural que regula o clima global. Nesse processo, o carbono atmosférico é inicialmente absorvido pelo fitoplâncton por meio da fotossíntese. Em seguida, esse carbono é transferido ao longo da cadeia alimentar.

O artigo ressalta que o zooplâncton desempenha um papel central nessa dinâmica, acelerando o transporte do carbono para águas profundas. Ao contrário do que modelos anteriores sugeriam, o zooplâncton não atua apenas de forma passiva, acompanhando o afundamento natural das partículas, mas exerce um papel ativo no deslocamento do carbono.

Migração vertical diária: um elevador natural de carbono

Um dos principais mecanismos descritos no estudo é a migração vertical diária do zooplâncton. Segundo os autores, esses organismos sobem à superfície durante a noite para se alimentar e descem para águas mais profundas durante o dia, como forma de proteção contra predadores.

Esse movimento cotidiano funciona como um verdadeiro “elevador de carbono”. Ao se alimentar na superfície e metabolizar o carbono em profundidade, o zooplâncton transporta matéria orgânica para camadas mais profundas do oceano. O estudo estima que esse transporte ativo pode ser responsável por até 40% do carbono exportado para o oceano profundo em algumas regiões.

Pellets fecais e o sequestro eficiente de CO₂

Outro ponto destacado pelo artigo é a produção de pellets fecais pelo zooplâncton. Embora pouco atraente à primeira vista, esse processo é crucial para o sequestro de carbono. Segundo a pesquisa, esses pellets são densos e afundam rapidamente, levando o carbono para regiões onde ele tem menos chance de retornar à atmosfera.

Os autores indicam que esse mecanismo torna a bomba biológica mais eficiente, especialmente em áreas com grande concentração de zooplâncton, como regiões polares e zonas de alta produtividade oceânica.

Um serviço climático sob ameaça

Apesar de sua importância, o estudo alerta que o papel do zooplâncton na regulação do clima é altamente sensível às mudanças ambientais. O aquecimento dos oceanos, a acidificação das águas e a redução da disponibilidade de alimento podem alterar os padrões de migração e a sobrevivência desses organismos.

De acordo com o artigo, qualquer enfraquecimento desse sistema pode reduzir a capacidade do oceano de atuar como sumidouro de carbono, criando um efeito de retroalimentação que acelera o aquecimento global.

Fonte: CNN

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