EnglishEspañolPortuguês

MELHORES AMIGOS

Amizade salvadora: estes filhotes órfãos de zebra e de rinoceronte se uniram em santuário para escapar da morte

Achados sozinhos e doentes na África do Sul, esses filhotes encontraram conforto um no outro e sua ligação comovente se tornou vital para aprenderem a ser selvagens novamente. Aproveite o Dia Internacional da Zebra para saber mais sobre essa reunião.

29 de janeiro de 2026
Cheryl Maguire
4 min. de leitura
A-
A+
Foto: Care For Wild Rhino Sanctuary

Seja brincando com a bola, correndo e perseguindo um ao outro ou aconchegando-se à noite, Daisy, o bebê rinoceronte branco, e Modjadji, a zebra das planícies, são frequentemente inseparáveis no Care for Wild Rhino Sanctuary – o maior santuário de rinocerontes órfãos do mundo, localizado em Mpumalanga, na África do Sul, onde foram reabilitados. “Você não acredita como esses dois são adoráveis”, diz a fundadora do santuário, Petronel Nieuwoudt, sobre os dois animais jovens que ela ajudou a criar.

Modjadji, cujo nome é uma homenagem à deusa local da chuva, é uma zebrinha que foi encontrada sozinha e sofrendo de anemia causada por carrapatos no Parque Nacional Kruger após uma forte tempestade. Alguns dias depois, os guardas florestais encontraram a rinoceronte Daisy. Ela tinha apenas cerca de 12 horas de vida e ainda estava com o cordão umbilical preso; também foi achada doente com uma infecção e sua mãe provavelmente deve ter sido caçada ilegalmente por causa do chifre.

Sozinhos, esses animais provavelmente não teriam sobrevivido. Mas juntos — e com a ajuda de conservacionistas — esses amigos improváveis têm a chance de retornar à vida selvagem. National Geographic aproveita a efeméride do Dia Internacional da Zebra, celebrado anualmente em 31 de janeiro, para contar melhor esta história.

Como é a amizade entre animais de espécies diferentes

Ambas as espécies são capazes de ficar em pé uma hora após o nascimento, mas tanto os rinocerontes brancos quanto as zebras das planícies ainda precisam dos cuidados dos pais. Os filhotes de rinoceronte ficam com suas mães por dois a três anos, enquanto as zebras podem alcançar a independência após um ano. Nesse período, os filhotes dependem de suas mães para alimentação, proteção e socialização.

Embora essas espécies não interajam muito na natureza, Nieuwoudt colocou os dois órfãos juntos para que recebessem o conforto que lhes faltava de suas mães. Ela diz que os dois gostavam especialmente de se tocar enquanto dormiam. “É a sensação de ‘Ah, há outra pequena respiração ao meu lado e outro pequeno batimento cardíaco ao meu lado’”, diz Nieuwoudt.

Além disso, os filhotes podiam ensinar um ao outro como brincar. “O comportamento lúdico é muito importante para desenvolver habilidades sociais, aprender limites e tornar-se fisicamente competente”, diz Terri Roth, cientista especializada em rinocerontes do Zoológico de Cincinnati. A socialização com outro animal em tenra idade “torna o animal muito mais adaptado quando se torna adulto”.

Zebras e rinocerontes têm mais em comum do que se imagina

Na natureza, os territórios dos rinocerontes e das zebras se sobrepõem — ambos são herbívoros que costumam se alimentar de grama. “O uso das savanas pelos rinocerontes brancos e pelas zebras é bastante semelhante”, diz Roth.

E esses animais são ambos perissodáctilos, um grupo de herbívoros com cascos que inclui cavalos e burros. “Eles são taxonomicamente mais próximos do que qualquer outra espécie.” Isso pode explicar por que um rinoceronte serviria como um companheiro substituto para uma zebra, diz ela.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) lista as zebras das planícies como quase ameaçadas de extinção, e sua população está diminuindo. As mudanças climáticas estão causando secas extensas, o que torna a comida e a água menos disponíveis para as zebras, e elas estão sendo expulsas de seu habitat à medida que as pessoas cultivam a terra.

Os rinocerontes brancos já foram considerados extintos, mas agora estão listados como quase ameaçados graças aos esforços de conservação. Sua principal ameaça são os caçadores furtivos que buscam chifres.

Feitos do mesmo material que compõe as unhas, os chifres ainda são usados em algumas culturas como medicina tradicional ou para esculturas. E embora existam leis que proíbem a caça furtiva, elas nem sempre são aplicadas.

A zebra e o rinoceronte: dormindo juntos, mas crescendo separados

Existem algumas habilidades que os dois amigos só podem aprender com sua espécie. Roth explica que, embora um rinoceronte role instintivamente na lama para se livrar das moscas que o picam, encontrar locais com poças de lama e fontes de água é uma habilidade aprendida com a mãe.

Portanto, Daisy precisará aprender isso com outros rinocerontes.

Já Modjadji, por sua vez, precisará aprender sobre a hierarquia do rebanho com outras zebras, diz a veterinária de vida selvagem e exploradora da NatGeo Shaleen Angwenyi. Esses animais vivem em grupos permanentes com um macho, até seis fêmeas e seus filhotes. Eles costumam viajar em fila liderada pela fêmea dominante e o resto segue de acordo com a hierarquia.

À medida que crescem, Modjadji passa menos tempo com Daisy e mais com suas companheiras zebras em uma área protegida. Nieuwoudt frequentemente a vê perto dos rinocerontes adultos da área, mas Modjadji ainda volta ao centro às vezes para tirar uma soneca rápida com Daisy.

Enquanto isso, Daisy continua a viver no santuário, onde estão a trabalhar para a ajudar a crescer — ela pesa agora mais de 450 kg — e a aprender a interagir com outros rinocerontes órfãos. Nieuwoudt espera que um dia tanto Daisy como Modjadji voltem a ser selvagens, talvez pastando uma perto da outra.

Fonte: National Geographic

    Você viu?

    Ir para o topo