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EXPLORAÇÃO

Alemanha usa mais de 3 milhões animais em experimentos: quase metade morre nos testes, sacrifícios científicos ou descarte de excedentes laboratoriais

Estatísticas federais mostram redução anual, porém revelam persistência de pesquisa básica, descarte de excedentes, uso de cães e primatas, além de estagnação em experimentos severos, mantendo pressão ética e política

5 de janeiro de 2026
Romário Pereira de Carvalho
4 min. de leitura
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Foto: Pexels

Em 2024, a Alemanha utilizou 3.063.569 animais em experimentos científicos, segundo estatísticas oficiais, número 12,5% menor que no ano anterior, o que reacendeu o debate sobre ética, políticas públicas e a transição para métodos sem animais.

Queda geral nos números oficiais

As estatísticas federais indicam que a maioria dos 3.063.569 animais usados em 2024 acabou sacrificada ao longo ou ao final dos procedimentos científicos realizados no país.

Os dados foram divulgados pelo Centro Alemão para a Proteção de Animais de Laboratório, responsável por consolidar e publicar os registros oficiais do governo federal.

Do total contabilizado, 1.327.931 animais foram utilizados diretamente em experimentos científicos, que quase sempre resultam na morte dos indivíduos envolvidos.

Outros 626.538 animais foram sacrificados especificamente para fins científicos, como a coleta de órgãos e tecidos destinados a análises laboratoriais.

Além disso, 1.109.100 animais considerados excedentes foram criados para experimentos, mas abatidos por não serem utilizados posteriormente.

No conjunto, a redução aproximada de 438.000 animais em relação ao ano anterior representa uma queda de cerca de 12,5%.

Redução de animais excedentes

Um dos pontos mais destacados foi a diminuição de 19% no número de animais excedentes, que caiu para cerca de 1,1 milhão em 2024.

Esses animais são criados em laboratório, mas descartados por razões econômicas, muitas vezes sem jamais participarem de experimentos científicos.

Segundo a Dra. Johanna Walter, consultora científica da Médicos Contra Experimentos com Animais, a queda pode estar ligada à redução de animais geneticamente modificados.

Houve uma diminuição de 11% nesse grupo, cuja criação frequentemente gera indivíduos sem as características desejadas, levando ao abate sistemático.

A redução no descarte de excedentes já havia sido observada no ano anterior, indicando uma tendência recente nesse segmento específico.

Em 2022, a organização apresentou queixa-crime após denunciar publicamente o abate ilegal de animais excedentes no país.

Pesquisa básica segue concentrando a maioria

Na pesquisa básica, não orientada para objetivos específicos, a redução foi bem menor, cerca de 2% em comparação com o ano anterior.

Mesmo assim, essa área concentrou a maior parte dos experimentos com animais, totalizando 758.244 indivíduos em 2024.

Esse volume corresponde a 57% de todos os animais usados diretamente em experimentos científicos no país.

A persistência desse patamar reforça o peso histórico da pesquisa básica na experimentação animal alemã.

Espécies mais utilizadas nos laboratórios

Os ratos seguiram como a espécie mais utilizada, com 956.636 animais, representando 72% dos experimentos realizados em 2024.

Os peixes ocuparam a segunda posição, com aumento de 9%, totalizando 176.778 animais e cerca de 13% do total.

Em terceiro lugar apareceram os camundongos, com 83.369 animais, correspondendo a aproximadamente 6% dos registros oficiais.

Esses três grupos concentraram a ampla maioria dos procedimentos laboratoriais conduzidos no país.

Uso de coelhos, cães e primatas

Coelhos somaram 57.966 indivíduos, sendo quase 88% empregados em produção de rotina, como anticorpos policlonais.

Também foram utilizados cães, com 2.220 animais, além de 1.088 macacos e 698 gatos em diferentes tipos de experimentos.

A presença dessas espécies mantém aceso o debate ético, especialmente quando envolvem procedimentos invasivos e reutilização prolongada.

Experimentos severamente angustiantes

Em 2024, 47.708 animais foram submetidos a experimentos classificados como severamente angustiantes pelas autoridades competentes.

Esse número representa apenas cerca de 3.000 a menos que no ano anterior, indicando estagnação nesse tipo de prática.

Segundo avaliações críticas, o sofrimento real pode ser maior, já que classificações oficiais tendem a subestimar a intensidade dos procedimentos.

Queda no uso de macacos e pressão política

O número de macacos utilizados caiu 35%, chegando a 1.088 animais, embora 19% deles tenham sido reutilizados em experimentos.

Na pesquisa básica, esses primatas são frequentemente empregados repetidamente em estudos cerebrais invasivos ao longo de anos.

Para enfrentar esse cenário, a organização, em parceria com a PETA, apresentou uma petição ao Bundestag, com mais de 40.000 assinaturas verificadas.

Limites da estratégia atual

De forma geral, a entidade avalia a tendência de queda como positiva, mas aponta sinais de estabilização preocupantes.

Segundo a organização, isso pode refletir o avanço de tecnologias sem animais, como órgãos em chip e modelos computacionais.

Ainda assim, mais de 3 milhões de animais continuam sofrendo em experiências cujos resultados não são transferíveis para humanos.

O fracasso da estratégia de redução prometida pelo governo anterior, prevista para a primavera de 2025, evidencia falta de vontade política.

Entre os problemas apontados estão ausência de financiamento vinculativo, pouca transparência e diretrizes insuficientes para métodos alternativos.

Enquanto outros países avançam em planos de eliminação gradual, a Alemanha mantém um potencial significativo ainda não explorado.

Ao final, a organização defende que a eliminação progressiva dos experimentos seja promovida politicamente, priorizando métodos cientificamente superiores e livres do uso de animais.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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