Canais de irrigação artificiais espalhados pela região Oeste da Bahia têm provocado a morte recorrente de animais silvestres, que agonizam até o último momento, sem ter para onde fugir.
Desesperados, os animais tentam escalar a parede lisa, sem sucesso. Não há rampa, grade ou qualquer mecanismo que permita sua saída. A cena se repete ao longo de centenas de quilômetros de canais que cortam o Cerrado brasileiro.
Essas estruturas, implementadas para atender à expansão do agronegócio, têm se tornado verdadeiras armadilhas mortais para os animais nativos. Espécies como lobos-guarás, tamanduás, capivaras e diversas aves, que já habitavam o território muito antes da chegada das lavouras, acabam caindo nos canais e morrendo por afogamento ou exaustão.
O problema não é novo, tampouco inevitável. A instalação de rampas de escape ao longo dos canais é uma solução simples, de baixo custo e já adotada em outros países. Ainda assim, a ausência de regulamentação específica e de fiscalização efetiva permite que o agronegócio siga operando sem qualquer adaptação para proteger os animais.
Diante das denúncias, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) apresentou o Projeto de Lei 1598/2026, que propõe tornar obrigatória a instalação de dispositivos de escape em canais artificiais. A medida busca responsabilizar empresas e prevenir mortes evitáveis de animais silvestres.
O projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados e pode receber apoio popular neste link.