EnglishEspañolPortuguês

ESTUDO

Acabar com os combustíveis fósseis é crucial para evitar tragédias climáticas como a de Juiz de Fora (MG)

Tempestades devem se tornar mais severas à medida que caminhamos para 2,5°C de aquecimento global até o final do século.

13 de março de 2026
2 min. de leitura
A-
A+
Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

Quanto mais o planeta aquece, mais umidade fica retida na atmosfera e mais tempestades extremas nos atingem. Somando à equação de fim do mundo as desigualdades e o planejamento urbano inadequado, chegamos ao cenário de Juiz de Fora em fevereiro deste ano. Foram 2 mil moradias totalmente destruídas, 65 mortes de mais de 8 mil desabrigados ou desalojados, como conta o g1.

Segundo análise da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, a cidade registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história, com mais de 750 mm de precipitação – três vezes a quantidade esperada para o período. As chuvas extremas também foram 65% superiores ao recorde de 456 mm, estabelecido em 1988.

Atualmente, o planeta caminha para um aquecimento de 2,3°C e 2,5°C até o final do século. A WWA estimou que as tempestades devem se tornar 7% mais severas em um clima 2,6°C acima dos níveis pré-industriais.

Para os autores do estudo, a prioridade deve ser a eliminação gradual, mas na maior brevidade possível, os gases de efeito estufa provenientes da queima de petróleo, gás e carvão, além de implantar medidas mitigatórias, como a conservação de áreas naturais e matas ciliares e infraestrutura verde urbana, destacam Guardian e ((o))eco.

“É vital que lutemos para evitar qualquer fração de grau de aquecimento adicional. A cada ano que adiamos a ação urgente e necessária aumentam ainda mais as chances de eventos climáticos extremos que ceifarão vidas e destruirão meios de subsistência”, afirma Friederike Otto, professora de ciências climáticas do Imperial College London.

Nesta semana, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) recomendou que a prefeitura de Juiz de Fora só libere as áreas interditadas pelas chuvas após avaliação técnica rigorosa da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, informa o g1. Para o promotor de Justiça Alex Santiago, o resultado das fortes chuvas que atingiram a região evidencia a vulnerabilidade da cidade e a necessidade de respostas institucionais estruturadas e contínuas.

Outra análise recente, ainda não revisada por pares, mostra que o preço do café arábica disparou nos últimos anos no Brasil devido a condições climáticas extremas que reduziram as colheitas em 15 a 20%.

Em Minas Gerais, as condições mais úmidas do que o habitual agravaram a disseminação de doenças nas plantações de arábica. Ainda segundo o Guardian, a situação é sentida há pelo menos cinco anos nas prateleiras dos mercados do Reino Unido, onde o preço do café moído aumentou em cerca de um quarto.

Fonte: ClimaInfo

    Você viu?

    Ir para o topo