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DESCASO DA PREFEITURA

Abandonados: cerca de 800 gatos vivem em cemitério no interior de São Paulo

Apesar da situação precária, a ONG Gatos do Cemitério oferece suporte aos gatos, incluindo alimentação, captura para castração, cuidados veterinários e encaminhamento para adoção

25 de fevereiro de 2025
Júlia Zanluchi
6 min. de leitura
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Foto: Will Baldine/Jornal de Piracicaba

O Cemitério da Saudade, localizado em Piracicaba, no interior de São Paulo, é um exemplo que mostra perfeitamente o descaso do poder público com os animais. Uma estimativa da ONG Gatos do Cemitério, que há 18 anos atua no local para minimizar o sofrimento de gatos abandonados, diz que aproximadamente 900 gatinhos vivem lá atualmente.

De acordo com Elcian Granado, coordenadora do grupo, a ONG surgiu para oferecer suporte aos gatos, incluindo alimentação, captura para castração, cuidados veterinários e encaminhamento para adoção. “Estamos há 18 anos em atividade e, há 11 anos, começamos com o projeto de castração. Até hoje, já castramos cerca de quatro mil gatos”, relatou Elcian em entrevista ao Jornal de Piracicaba.

A iniciativa é essencial para controlar a população de gatos e evitar que mais animais nasçam em condições precárias.

O trabalho do grupo é intenso e diário. Todos os dias, das 7h às 14h, voluntários percorrem o cemitério, que possui uma área de quase 145 mil metros quadrados, para alimentar os animais e trocar a água, que chega a consumir 200 litros diários.


Matheus Tunin, contratado pelo grupo, é um dos responsáveis por essa rotina. Ele percorre cerca de 12 quilômetros para abastecer 185 pontos de alimentação e água, além de posicionar potes e casinhas de forma estratégica para evitar a presença de insetos e animais venenosos.

“Eu sou muito fã de gatos. Quando surgiu a oportunidade de participar, foi algo que tocou profundamente meu coração. Estou quase completando um ano na equipe, dedicando muito amor e cuidado a todos esses gatinhos”, compartilhou Tunin.

Apesar do esforço dedicado, o grupo enfrenta desafios financeiros e estruturais. A iniciativa depende de doações de parceiros, da contribuição do Poder Público – que fornece 30 quilos de ração – e, muitas vezes, de recursos tirados do próprio bolso dos voluntários. “São tantos anos nessa luta. Nosso trabalho é diferenciado”, afirma Elcian, destacando a necessidade de mais apoio para garantir a continuidade das ações.


A situação no Cemitério da Saudade reflete um problema maior: o abandono de animais e a falta de políticas públicas eficazes para lidar com a superpopulação de animais domésticos. Enquanto organizações como o “Gatos do Cemitério” trabalham incansavelmente para mitigar os efeitos desse abandono, a ausência de uma abordagem mais ampla e sistemática por parte do governo mantém o ciclo de sofrimento animal.

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