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MUITAS DÚVIDAS

A sociedade não vai se calar: polícia conclui investigação e pede internação de apenas um dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão Orelha

4 de fevereiro de 2026
Redação ANDA
4 min. de leitura
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Foto: Reprodução/Instagram

Seis adolescentes aparecem nas imagens associadas ao brutal assassinato do cão Orelha na Praia Brava em SC. A expectativa de toda sociedade era de uma apuração técnica e consistente, porém o andamento do caso passou a indicar redução gradual do número de envolvidos, de provas sem explicações públicas detalhadas.

Eram seis, mas apenas quatro foram formalmente incluídos nas investigações. Posteriormente um deles foi retirado do inquérito. Restaram três. Ao final, apenas um jovem permaneceu como acusado, enquanto os demais deixaram de constar no processo sem esclarecimento objetivo sobre os critérios adotados.

A investigação ocorreu sem divulgação pública de laudos técnicos conclusivos, sem apresentação de provas e sem explicação transparente sobre os motivos que levaram à exclusão de participantes visíveis nas imagens.

A condução do caso evoluiu de uma fase inicialmente descrita como carente de dados para uma conclusão rápida e definitiva. A celeridade da definição contrasta com inconsistências registradas ao longo do percurso investigativo. Relatos divergentes, lacunas temporais não esclarecidas, mudanças de versão e decisões pouco fundamentadas passaram a compor a narrativa oficial.

A ausência de divulgação dos fatos que sustentam a acusação final afeta a credibilidade das instituições responsáveis e contribui para a percepção de interferências no andamento da justiça. A concentração da responsabilização em um único indivíduo, com afastamento dos demais sem justificativa pública, amplia a percepção de impunidade.

A mobilização social permanece ativa diante da gravidade da violência e da rejeição ao encerramento acelerado do caso.

A mobilização social segue ativa porque a violência não admite encerramento apressado e a investigação local não respondeu à gravidade do ocorrido, tornando necessária a federalização do caso.

O que diz oficialmente a investigação da Polícia Civil

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, o inquérito sobre a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo foi concluído nesta semana e encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A corporação apontou um adolescente como autor da agressão que levou à morte de Orelha e solicitou a internação do jovem em medida socioeducativa, equivalente à prisão no sistema aplicado a menores de idade.

Segundo os investigadores, foram ouvidas 24 testemunhas e analisadas mais de mil horas de imagens captadas por 14 equipamentos de monitoramento instalados na região da Praia Brava. A polícia afirma que registros de câmeras, depoimentos e provas materiais, como roupas utilizadas no dia do crime, sustentam a conclusão apresentada no relatório final.

O laudo da Polícia Científica indicou que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por chute ou por um objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa. O ataque teria ocorrido na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, em uma área de mata próxima ao local onde o cão vivia e era cuidado pela comunidade.

Ainda conforme a corporação, imagens mostram o adolescente saindo do condomínio onde morava pouco antes do horário estimado do crime e retornando minutos depois, o que teria contradito a versão inicial apresentada por ele. Softwares de análise de localização e outras evidências circunstanciais também foram citados como elementos que contribuíram para a conclusão da autoria.

Além do pedido de internação do jovem apontado como responsável pela morte de Orelha, três adultos foram indiciados por coação de testemunhas no mesmo caso. Já na agressão contra o cão Caramelo, levado ao mar em uma tentativa de afogamento no mesmo dia, quatro pessoas foram responsabilizadas por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos, segundo a investigação.

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