O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou na 5ª feira (22/1) o relatório “Estado das Finanças para a Natureza 2026”, com dados de 2023. O documento comprova que, quando se trata de investimentos em meio ambiente, estamos (muito) no vermelho. Afinal, para cada dólar investido na proteção da Natureza, o mundo gasta mais de US$ 30 na sua destruição.
O relatório revela que o financiamento diretamente prejudicial à Natureza atingiu US$ 7,3 trilhões (R$ 38,8 trilhões) em 2023, ante apenas US$ 220 bilhões (R$ 1,1 trilhão) de investimentos em soluções baseadas na natureza (SbN), destaca o Down to Earth. A proporção de 33:1 em favor de atividades negativas para a Natureza alimenta a tripla crise planetária das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição, alerta o documento.
O levantamento considera as finanças públicas e privadas globais, explica a Folha. Dos fluxos de financiamento prejudiciais à Natureza, US$ 4,9 trilhões (R$ 26 trilhões) foram provenientes de fontes privadas e US$ 2,4 trilhões (R$ 12,7 trilhões) de subsídios públicos. Já dos investimentos em SbN, 90% – US$ 197 bilhões (R$ 1 trilhão) – são provenientes de fontes públicas.
“Se você seguir o fluxo do dinheiro, verá a dimensão do desafio que temos pela frente. Podemos investir na destruição da Natureza ou impulsionar sua recuperação – não há meio-termo”, diz Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA. “Enquanto o financiamento de soluções baseadas na natureza avança a passos de tartaruga, investimentos e subsídios prejudiciais disparam. Este relatório oferece aos líderes um roteiro claro para reverter essa tendência e trabalhar com a Natureza, em vez de contra ela.”
O PNUMA reforça que os investimentos em iniciativas focadas no meio ambiente deveriam crescer 2,5 vezes, chegando a US$ 571 bilhões (R$ 3 trilhões) por ano até 2030, para que sejam cumpridas as metas do mais recente tratado da ONU para a biodiversidade. Pode parecer muito, mas o valor representa apenas 0,5% do PIB global em 2024. A projeção do órgão é que esse valor precise atingir US$ 771 bilhões (R$ 4,1 trilhões) anuais até 2050.
Ainda que a escala desse tipo de mudança seja desafiadora, o relatório apresenta exemplos de países que estão adotando medidas concretas para implementá-la.
Na Costa Rica, o reflorestamento de terras degradadas em nível nacional foi viabilizado por meio de incentivos financeiros provenientes de uma taxa sobre combustíveis fósseis. Já na Dinamarca, a transição dos combustíveis fósseis foi acelerada pelo direcionamento de verba arrecadada com impostos sobre energia para pesquisas científicas voltadas à energia eólica. Também foram utilizados mecanismos, como a taxação das emissões de carbono e contratos mais longos e estáveis para produtores de energia renovável.
Fonte: ClimaInfo