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ESTUDOS

8 cidades históricas que podem sumir do mapa devido às mudanças climáticas

Ruínas de antigas civilizações ao redor do mundo estão sendo ameaçadas por diversos reflexos da crise climática, como fortes chuvas, secas, incêndios e enchentes

1 de janeiro de 2026
10 min. de leitura
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Termas Antoninas em Cartago. Foto: Wikimedia Commons

Segundo um relatório de outubro da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), cerca de 43% dos sítios antigos listados pela UNESCO — 117 entre 271 — enfrentam ameaça “alta” ou “muito alta” devido às mudanças climáticas. Esse percentual mostra um crescimento em relação a 2020, quando cerca de 33% dos sítios tinham esse nível de risco.

O degelo de áreas congeladas, a erosão costeira, as inundações e as secas são alguns dos fenômenos que ameaçam potencialmente milhões de sítios arqueológicos em todo o mundo, segundo lista a UNESCO. A seguir, conheça algumas cidades antigas que estão sendo ameaçadas pela crise climática.

1. Alexandria, Egito

A histórica cidade de Alexandria, no Egito, muitas vezes chamada de “noiva do Mediterrâneo” por sua beleza, foi fundada por Alexandre Magno em 332 a.C. e era o principal centro cultural do mundo antigo. Sua biblioteca (destruída nos primeiros séculos da era cristã) foi a maior da antiguidade, segundo a Enciclopédia Britannica.

Antes raros, os desabamentos de edifícios na cidade aumentaram de aproximadamente um por ano para alarmantes 40 por ano na última década. Essa devastação, segundo um estudo publicado em fevereiro, estaria diretamente ligada à elevação do nível do mar e à intrusão de água salgada.

“Durante séculos, as estruturas de Alexandria foram maravilhas da engenharia resiliente, resistindo a terremotos, tempestades, tsunamis e muito mais. Mas agora, a elevação do nível do mar e a intensificação das tempestades — impulsionadas pelas mudanças climáticas — estão desfazendo em décadas o que levou milênios de engenhosidade humana para criar”, comentou em comunicado Sara Fouad, arquiteta paisagista da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e primeira autora do estudo.

2. Cartago, Tunísia

A elevação do nível do mar e o aumento da salinidade, somados à erosão provocada pelo vento, estão deteriorando lentamente as ruínas de Cartago, Patrimônio Mundial da UNESCO e antiga metrópole que foi uma das mais imponentes do mundo antigo.

As Termas de Antonino — um dos três maiores complexos termais romanos já construídos e o único na África — exibem sinais particularmente claros desse desgaste: a ação do vento carregado de sal corrói as estruturas, e várias colunas precisaram ser isoladas por cordões para evitar danos adicionais.

No sítio arqueológico do Porto Púnico, próximo à costa de Cartago, onde operavam navios cartagineses e romanos, partes da antiga ilha portuária já podem ser vistas desabando diretamente no mar.

3. Babilônia, Iraque

Reconhecida pela UNESCO, a capital do Império Babilônico, no atual Iraque, sofre com o aumento da concentração de sal, segundo informa o jornal britânico The Guardian. Por lá, a construção de barragens e a má gestão de recursos hídricos e da agricultura tem contribuído para o problema. Como resultado, uma camada salina cobre tijolos de barro com 2.600 anos.

No Templo de Ishtar, a antiga deusa suméria do amor e da guerra, a base das paredes está literalmente se desfazendo. Nas camadas internas da espessa alvenaria, o sal se infiltra e se acumula até cristalizar — um processo que provoca rachaduras, rompe os tijolos e faz com que partes inteiras da estrutura se desprendam.

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