SENCIÊNCIA            

Estudo reforça que caranguejos e lagostas não devem ser cozidos vivos

           
Foto: Ilustração | Pixabay

Polvos, caranguejos e lagostas sentem dor e sofrimento. Um estudo encomendado pelo governo do Reino Unido, concluiu que animais decápodes e cefalópodes são criaturas sencientes e, portanto, devem ser protegidos pelas novas leis de bem-estar animal do país.

O relatório de especialistas da London School of Economics analisou 300 artigos científicos para avaliar as evidências de senciência em animais não vertebrados e concluíram que polvos, lulas, chocos, caranguejos, lagostas e lagostins, devem ser tratados como seres capazes de sentir ou perceber através dos sentidos.

Os vertebrados (animais com coluna vertebral) já são classificados como sencientes na legislação de bem-estar animal vigente no Reino Unido. “O projeto de Lei de Bem-Estar Animal fornece uma garantia crucial de que o bem-estar animal seja corretamente considerado ao desenvolver novas leis. A ciência agora esclarece que decápodes e cefalópodes podem sentir dor e, portanto, é justo que sejam cobertos por esta parte vital da legislação”, disse o ministro do Bem-Estar Animal, Lord Zac Goldsmith, em entrevista para a CNN.

O programa que ainda não foi aprovado, estabelecerá um Comitê de Senciência Animal, que lançará periódicos sobre como as decisões do governo impactam a saúde e segurança desses animais, integrando um plano de ação governamental mais amplo nas pesquisas desse gênero.

O relatório afirma que lagostas e caranguejos não devem ser cozidos vivos e inclui as práticas positivas para o transporte, aturdimento e abate de decápodes e cefalópodes.

Cefalópodes e decápodes

Um ensaio realizado com esses animais, considerou oito maneiras diferentes de medir a sensibilidade dessas criaturas, incluindo: capacidade de aprendizado, presença de receptores de dor, conexões entre receptores de dor a determinadas regiões do cérebro, resposta a anestésicos ou analgésicos e comportamentos como, decisão entre ameaça e oportunidade de recompensa e defesa contra ferimentos ou ameaça.

Foto: Ilustração | Pixabay

Foram encontradas evidências “muito fortes” de sensibilidade em octópodes e evidências “fortes” na maior parte dos caranguejos. Para outros animais nesses dois grupos, como lulas, chocos e lagostas, foram descobertas evidências substanciais de percepção, mas elas não foram fortes o suficiente para integrar o quadro de alta receptibilidade dos outros animais.

O relatório aponta vários graus de indicativos que refletem as disparidades na quantidade de atenção que diferentes animais recebem dos cientistas. “A atenção científica gravitou em torno de alguns (animais) em vez de outros por razões de conveniência prática (por exemplo, quais animais podem ser bem mantidos em laboratórios) e geografia (por exemplo, quais espécies estão disponíveis onde um laboratório está localizado). Por causa dessa situação, nós achamos que seria inapropriado limitar a proteção a ordens específicas de cefalópodes, ou a subordens específicas de decápodes”, disse o relatório.

No documentário “Professor Polvo” (2020) da Netflix é possível acompanhar as fases da vida de um polvo e fica muito evidente o quão esses animais são habilidosos e sensoriais. A estrutura cerebral dos polvos é muito diferente da dos humanos, mas realiza as mesmas funções dos cérebros dos mamíferos, como capacidade de aprendizagem, destreza em situações de ameaça, resposta a adversidades e muito possivelmente, o dom de sonhar.

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