ESTUDO            

Desmatamento pode transformar a floresta amazônica em savana

A conclusão alarmante pertence a quatro pesquisadores e foi publicada na edição desta semana da revista científica britânica Nature sob o título “Desmatamento e mudanças climáticas projetam aumento do risco de estresse térmico na Amazônia Brasileira”            
Área de desmatamento e que foi queimada na região da vicinal do Salomão, no município de Apuí, no Amazonas (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/09–08-2020)

Um estudo realizado por quatro pesquisadores brasileiros alerta para o risco da floresta amazônica se transformar em savana. Nesse cenário, que deve se concretizar se o desmatamento não for controlado, a rica vegetação da Amazônia daria lugar para grama e poucas árvores, distantes umas das outras.

A conclusão alarmante dos cientistas foi publicada na edição desta semana da revista científica britânica Nature sob o título “Desmatamento e mudanças climáticas projetam aumento do risco de estresse térmico na Amazônia Brasileira”.

De acordo com os pesquisadores, no pior cenário, a combinação entre desmatamento e mudanças climáticas poderá elevar a temperatura à sombra na Amazônia em até 11,5 °C ao final do século. Além de ameaçar a sobrevivência dos animais, esse aumento impediria trabalhadores de exercer suas atividades ao ar livre em dias quentes e colocaria em risco a vida de crianças, adultos e idosos com determinadas doenças.

O estudo é de autoria dos pesquisadores Beatriz de Oliveira, da Fundação Oswaldo Cruz, Marcus Bottino e Paulo Nobre, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além de Carlos Nobre, da Universidade de São Paulo (USP).

A população do Norte, onde vivem 12,4 milhões, seria a mais afetada. No entanto, 17,2 milhões de brasileiros das outras regiões também enfrentariam problemas. As estimativas não consideram aumentos populacionais, elevação da expectativa de vida e mudanças da estrutura demográfica. De acordo com o estudo, moradores de 16% dos 5.570 municípios brasileiros sentiriam o aumento da temperatura.

O estudo foi divulgado às vésperas da COP26 (26° Conferência Sobre as Alterações Climáticas), que será realizada em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro. De acordo com O GLOBO, diplomatas da União Europeia têm trabalhado nos bastidores da conferência para isolar o Brasil por defenderem que o presidente Bolsonaro e seus representantes apresentam propostas irracionais que não serão cumpridas, como a antecipação de 2060 para 2050 do prazo final para atingir a neutralidade de carbono.

Um dos diplomatas afirmou ao jornal que é preciso obrigar o Brasil a fazer concessões pressionando-o, sendo essa a única forma de garantir acordos significativos durante a COP26. Internacionalmente, o presidente brasileiro tem sua imagem prejudicada pelo desmonte ambiental promovido por seu governo, além dos recordes de queimadas e desmatamento.

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