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Mudanças climáticas podem ser irreversíveis entre 2040 e 2050

Caso medidas não sejam tomadas pelos governos, temperaturas extremas podem se tornar reais a partir da década de 2030            
Foto: Pixabay

Um relatório publicado pela Chatham House, instituição britânica de pesquisa sobre o desenvolvimento internacional, revelou que as mudanças climáticas podem se tornar irreversíveis entre 2040 e 2050 caso as emissões de gases de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas nesta década.

As informações foram incluídas em um documento denominado “Avaliação de Riscos das Mudanças Climáticas”, que tem como objetivo embasar decisões a serem tomadas por chefes de governo e ministros antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), que deve ser realizada de 31 de outubro a 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia.

O pesquisador sênior do Programa de Meio Ambiente e Sociedade da Chatham House, Daniel Quiggin, considera que as metas nacionais de redução de gases de efeito estufa podem ser apenas promessas vazias.

“Muitos países não têm políticas, regulamentações, legislação, incentivos e mecanismos de mercado proporcionais para realmente cumprir essas metas. Além disso, os NDCs [da sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada] revisados globalmente ainda não fornecem uma boa chance de evitar o aquecimento em 2ºC. Devemos lembrar que muitos cientistas do clima estão preocupados que, além dos 2ºC, uma mudança climática descontrolada possa ser iniciada”, afirmou o pesquisador.

Além disso, as metas definidas pelos países, mesmo se forem executadas, não são capazes de neutralizar o carbono. “O balanço zero líquido das emissões depende de tecnologias de emissão negativa, que atualmente não são comprovadas empiricamente em escala comercial. Em resumo, as metas que os países buscam estão se movendo na direção certa, mas ainda não conseguem evitar a devastadora mudança climática. E as políticas de apoio às metas existentes são insuficientes para atingir essas metas”, explicou.

Caso medidas não sejam tomadas pelos governos, temperaturas extremas podem se tornar reais a partir da década de 2030, levando 10 milhões de pessoas à morte em decorrência das ondas de calor que poderão afetar 70% da população mundial. Secas severas e prolongadas também poderão prejudicar 700 milhões de pessoas anualmente.

O aquecimento global também impedirá que 400 milhões de pessoas trabalhem ao ar livre e reduzirá a produção agrícola em 30%. O nível do mar também deve aumentar em um metro, aumentando em cerca de 40 vezes as chances de ocorrem inundações em Xangai, 200 vezes em Nova York e mil vezes em Calcutá.

De acordo com Quinggin, os esforços globais executados atualmente dão ao mundo menos de 5% de chance do aquecimento se manter abaixo de 2°C.

“Sem ações radicais em todos os setores, mas especialmente dos grandes emissores, temperaturas extremas, quedas dramáticas nos rendimentos agrícolas e secas severas prolongadas provavelmente resultarão em milhões de mortes adicionais na próxima década. Ainda há uma janela de oportunidade real (embora ela esteja se fechando) para uma ambição muito maior de todos os governos, para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas”, argumentou.

Os cientistas alertam ainda que os esforços de descarbonização podem segurar o aquecimento em 2,7° até 2100, mas que há chance de 10% da temperatura média do planeta subir 3,5°C.

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