CRUELDADE            

Falcões mantidos em cativeiro são explorados para matar gaivotas no Reino Unido

Impedidos de viver em liberdade, falcões exaustivamente treinados para atender aos interesses humanos serão forçados a caçar as gaivotas, submetendo-as a sofrimento            
FOTO: DIVULGAÇÃO/WORCCITYCOUNCIL

Incomodado com a presença de gaivotas na cidade, o governo de Worcester, no Reino Unido, contratou um adestrador de falcões treinados para a caça para matar as aves. Durante oito horas por dia, os falcões serão explorados para caçar e matar as gaivotas.

A decisão cruel, que submete gaivotas à crueldade e condena falcões ao sofrimento do cativeiro e da exploração em prol dos interesses humanos, foi tomada após moradores de bairros locais reclamarem das aves marinhas, argumentando que elas roubam alimentos, entram em estabelecimentos comerciais, avançam contra as pessoas, defecam em cima de carros e casas e fazem barulho durante a noite.

Para tentar por fim aos problemas, o governo optou pela contestável medida de tirar a vida dessas aves através da exploração de falcões forçados a viver em cativeiro para atender às demandas humanas. A decisão foi tomada sem considerar a necessidade de encontrar maneiras éticas de solucionar a questão, inclusive estudando as razões pelas quais as gaivotas povoaram a cidade de Worcester, já que são aves marinhas e, por isso, deveriam viver próximo ao mar ao invés de habitar um município urbano situado a 80 km de distância do litoral.

Durante dois meses, um grupo de falcões será forçado a caçar gaivotas oito horas por dia, sendo que quatro deles cumprirão turnos de duas horas, cinco dias por semana. Após esse período, considerado de teste, os resultados serão avaliados.

Ao comentar o caso ao jornal The Mirror, o presidente do Conselho da cidade, Marc Bayliss, afirmou que foi dobrado o orçamento para os próximos 12 meses “para combater os efeitos das gaivotas”. Disse ainda que está sendo usada “uma variedade de técnicas, incluindo o voo do falcão”.

Em 2019, o governo de Worcester cogitou contratar um caçador para matar as gaivotas, mas não chegou a concretizar o plano que faria do município o primeiro em 40 anos a executar as aves a tiros. Neste ano, para evitar a reprodução da espécie, 137 ninhos e 233 ovos de gaivotas foram retirados de telhados de residências entre os meses de maio e junho.

No Reino Unido, duas espécies de gaivota consideradas selvagens são protegidas pela legislação britânica e, por isso, é crime feri-las ou matá-las. Apesar disso, as autoridades não medem esforços para tirar a vida das gaivotas e, desta vez, decidiram fazê-lo através dos falcões para, através de uma brecha na lei, não infringi-la.

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