TRAGÉDIA

Chimpanzé preso em cativeiro é morto com tiro após morder mulher nos EUA

Buck, como era chamado o chimpanzé, pagou com a própria vida após reagir depois de viver por décadas sob o estresse do cativeiro            
Foto: Buck Brogoitti Animal Rescue INC

Um chimpanzé que vivia aprisionado em cativeiro foi morto com um tiro por morder uma mulher após conseguir fugir do local onde vivia preso. Tratado como um objeto, Buck morava no Oregon, nos Estados Unidos, para onde foi levado para atender aos desejos de sua tutora, que fazia questão de ter um chimpanzé em casa.

Tamara Brogoitti, de 68 anos, foi aconselhada sobre a importância de transferir Buck para um santuário onde ele poderia viver em um local adequado e ser tratado de maneira digna e não como um “objeto de propriedade de alguém”. A mulher, porém, negou-se, conforme informou a organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA).

“Agora, ele está morto por causa da recusa de Brogoitti em seguir o conselho dos especialistas e transferir Buck para um santuário credenciado”, criticou a PETA, que também lamentou o acidente envolvendo o chimpanzé. A mulher mordida pelo animal, filha de Brogoitti, tem cerca de 50 anos e sofreu ferimentos nos braços, pernas e dorso. Conforme divulgado pela Fox News, o acidente aconteceu no último domingo (20).

Acionada pelas moradoras da casa, a polícia chegou à residência, situada no município de Pendleton, e descobriu que a filha de Brogoitti estava escondida no porão do imóvel. Estressado – provavelmente por viver aprisionado há décadas em cativeiro -, o chimpanzé impediu que os agentes entrassem no porão. Foi então que a tutora de Buck autorizou que os policiais atirassem no animal, que foi morto com um tiro na cabeça disparado pelo tenente Sterrin Ward. As autoridades não informaram porque não foi utilizado um tranquilizante para que o animal ficasse apenas inconsciente, mas vivo.

Foto: Buck Brogoitti Animal Rescue INC

Desde 2010, é proibido confinar chimpanzés em residências para criá-los como “animais domésticos”. No entanto, como a tutora de Buck já tinha sua tutela desde antes da lei, ela teve permissão para continuar mantendo-o preso em cativeiro. Há 17 anos, Buck sofria longe de seu habitat sendo tratado como um objeto de posse alheia.

Para a PETA, a forma como Brogoitti tratou Buck fez do animal “uma bomba-relógio”. Diretora de programa da North American Primate Sanctuary Alliance, Erika Fleury concordou com a instituição e afirmou que a reação do chimpanzé era esperada. A tragédia, portanto, já havia sido anunciada antes mesmo de acontecer.

De acordo com Fleury, é esperado que primatas tratados como “animais de propriedade privada” reajam contra seus tutores porque eles não vivem “vidas saudáveis” no cativeiro, já que animais selvagens têm, de maneira instintiva e intrínseca, a necessidade de viver em locais onde possam “expressar seus desejos naturais e se envolver em comportamentos naturais”.

Foto: Buck Brogoitti Animal Rescue INC
Foto: Buck Brogoitti Animal Rescue INC

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