DEVASTAÇÃO

Área total desmatada em 2020 é 9 vezes maior que a cidade de SP

           
Foto: Ilustração | Pixabay

Uma análise feita pelo Projeto MapBiomas mostrou um cenário grave de desmatamento nos seis biomas brasileiros em 2020. O relatório contém 74.218 alertas de desmatamento no Brasil inteiro, e sinalizou que a prática cresceu 9% na Amazônia, 6% no Cerrado, 43% no Pantanal, 99% no Pampa, 125% na Mata Atlântica e 405% na Caatinga. No total, houve um crescimento de 13,6% em 2020, atingindo 13.853 quilômetros quadrados (1.385.300 hectares), o que equivale a uma área nove vezes maior que a cidade de São Paulo, sendo que 61% estão na Amazônia.

Os dados do MapBiomas Alerta são fruto de cruzamentos de informações enfocadas e que são retirados de sistemas de detecção de desmatamento via satélite, com base em imagens de alta resolução e ajuda de inteligência artificial. Os dados indicaram que dentre os 99,8% locais sinalizados com os alertas de desmatamento, 98,9% foram realizados em áreas não autorizadas, ou seja, que foram vítimas de ações ilegais de sobreposição de áreas protegidas e/ou desrespeito do Código Florestal.

97,8% das áreas alertas de desmatamento no Cerrado são ligadas a ilegalidade, ou seja, ações desautorizadas por órgãos como o Sinaflor, sistema do Ibama organizado para entrar pedidos de desmatamento, sejam eles de sobreposição com áreas protegidas, planos de manejo florestal sustentável ou incompatibilidade com o Código Florestal, para assim serem registrados e liberados. Mas na prática, isso não vem ocorrendo.

Na Amazônia, o índice é de 99,4% de irregularidades, porcentagem que se manteve aproximada ao primeiro relatório de desmatamento do MapBiomas, de 99% de ações criminosas ambientais desse tipo.

Poucas ações de desmatamento foram multadas ou sofreram embargos do Ibama devido a baixa resposta para este tipo de ilegalidade do governo federal atual. Apenas 2% dos alertas e 5% da área desmatada entre 2019 e 2020 sofreram consequências.

Amazônia: o pior cenário de desmatamento

A Amazônia é a mais afetada pela situação do desmatamento, 52 municípios estão em estado críticos segundo políticas do Ministério do Meio Ambiente, 2% dos alertas e 9,3% da área desmatada sofreram consequências legais. Nos 11 municípios definidos pelo Conselho da Amazônia como mais prioritários, 3% dos alertas e 12% da área desmatada tiveram ações desse tipo. Apenas 50 municípios concentram 37,2% dos alertas e 49,2% da área desmatada no país.

Os municípios com mais desmatamento são liderados por Altamira (PA, com 60.608 hectares, aumento de 12% em relação a 2019), São Félix do Xingu (PA, 45.587 hectares) e Porto Velho (RO, 44.076 hectares). Apenas três municípios ficam fora da Amazônia entre os 20 mais desmatados: Formosa do Rio Preto e São Desidério, no Cerrado baiano, e Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense.

Como visto entre os locais mais desmatados, o Estado do Pará apresenta altos índices da ação danosa no país, com 33% dos alertas e 26% da área desmatada total (366 mil hectares), seguido de Mato Grosso, com 13%, e do Maranhão, com 12%.

Foi detectado, segundos os dados do MapBiomas Alerta, que pelo menos dois terços dos alertas em áreas de desmatamento indicam relação direta total ou parcial com regiões no CAR, o Cadastro Ambiental Rural, e no Pantanal e na Amazônia, o número é ainda mais alto: 84,8% e 69,2%, respectivamente, o que mostra que seria possível multar quase 70% dos responsáveis pelo desmatamento, já que o registro no CAR exige dados do requerente.

País perde 24 árvores por segundo

O relatório conseguiu pela primeira vez estimar a velocidade de desmatamento no Brasil a partir de cálculos e resultados diários em relação aos números de 2020, e chegou na constatação provável de 24 árvores desmatadas a cada segundo durante o ano, ou, 3795 hectares desmatados em média. O pior dia para os biomas brasileiros em termos de desmatamento foi 31 de julho, em que quase 575 metros quadrados de cobertura vegetal foi destruída.

“Infelizmente o desmatamento cresceu em todos os biomas e o grau de ilegalidade continua muito alto. Para enfrentar o desmatamento é necessário que a sensação de impunidade seja desfeita. Para isso, é preciso garantir que o desmatamento seja detectado e reportado e que os responsáveis sejam devidamente penalizados e não consigam aferir benefícios das áreas desmatadas”, diz Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.

“Em mais de dois terços dos casos, também é possível saber quem é o responsável. É preciso que os órgãos de controle autuem e embarguem as áreas desmatadas ilegalmente e as empresas eliminem essas áreas de suas cadeias de produção”, adiciona.

Sobre o MapBiomas Alerta

O MapBiomas Alerta é um sistema de alertas de desmatamento feito pelo consórcio MapBiomas, que por sua vez é formado por mais de 20 organizações, incluindo ONGs, universidades e empresas de tecnologia. São processados alertas de desmatamento por cinco sistemas: o Deter (do Inpe, para a Amazônia e o Cerrado), o SAD (do Imazon, para a Amazônia), o Glad (da Universidade de Maryland, para Mata Atlântica, Pantanal e Pampa), o Sirad-X (do Instituto Socioambiental, para a bacia do Xingu), e o novo SAD Caatinga (da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Geodatin).

Os alertas são validados, refinados e definidos quanto ao período em que foi feito o desmatamento a partir de imagens de satélite diárias de alta resolução espacial. Após a primeira parte, é realizado o cruzamento do dado de desmatamento com recortes territoriais (como biomas, Estados e municípios), recortes fundiários (Cadastro Ambiental Rural, Unidades de Conservação e Terras Indígenas, por exemplo) e situação administrativa (como existência de autorização, autuação ou embargo) e depois, são elaborados laudos completos para cada alerta de desmatamento.

Para ter acesso aos dados e as informações cruzadas já redigidos em laudos, basta acessar de forma gratuita e pública o site do MapBiomas Alerta.

 

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