Conservadores prometem proibir a importação de troféus de caça de leões no Reino Unido

           
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Cobiçados por caçadores de troféu inescrupulosos, leões são assassinados e partes de seus corpos são vendidas pelos mundo | Foto: Getty Images

Segundo a IUCN (The Internacional Union for Conservation of Nature), o leão é considerado “vulnerável” na lista de espécies ameaçadas de extinção, atualmente restam menos de 20 mil leões no mundo. Ainda assim as caçadas aos leões, conhecidas como “caça ao troféu”, verdadeiros jogos de morte e crueldade, são permitidas pois atendem a interesses de grupos específicos.

A proibição da importação de troféus de caça, mesmo não sendo uma medida definitiva (como proibição total da caça em si), já é um passo na direção ao desestímulo desse chamado “esporte” cruel e assassino.

No Reino Unido essa medida vêm sendo prometida desde 2015, quando o então ministro do Meio Ambiente, Rory Stewart, declarou que seriam suspensas as importações de partes de grandes felinos até 2017.

No ano seguinte, sua sucessora, Liz Truss, repetiu a promessa em uma carta, dizendo: “A menos que vejamos melhorias na forma como a caça acontece, julgados com base em critérios rígidos, baniremos as importações de troféus nos próximos dois anos”.

Até agora, nada mudou.

Alertas não faltam, especialistas declaram que as populações selvagens de leões africanos caíram de cerca de 20.000 para cerca de 15.000.

Mais de 150 membros do parlamento assinaram uma moção parlamentar criada por Zac Goldsmith pedindo a proibição da importação de troféus de caça.

Mas o governo se mostra reticente e afirma que tem mantido as regras sobre revisão.

Chris Macsween representante da fundação LionAid declarou ter ficado chocada com a quebra da promessa feita.

“É horrível. O número de leões selvagens está caindo e o número de leões nascidos e criados em cativeiro pela cruel indústria de caçadas está subindo, mas ninguém fala sobre isso. É de partir o coração”, disse ela.

Uma média de seis corpos de leões são importados por ano no Reino Unido, a LionAid diz que uma proibição efetiva mandaria uma mensagem para o mundo inteiro.

Segundo a porta-voz da Humane Society International a situação na África do Sul é exatamente a mesma de 2016 e eles são responsáveis pela exportação de mais troféus de leões do que qualquer outro país.

Já os Estados Unidos classificam os leões como espécies ameaçadas de extinção, o que significa que importar partes de leões é efetivamente proibido.

Em 2015, foram realizados dois encontros da fundação LionAid com Stewart (naquela época ministro do meio ambiente) e Macsween conta que durante a segunda reunião, Rory Stewart disse: “nós vencemos”.

O ex-ministro prometeu em novembro de 2015 que a menos que melhorias significativas fossem adotadas pela indústria de caça, “o governo se mobilizaria para proibir a importação de troféus de caça.”

Especialistas dizem que caçadas a leões machos exterminam manadas inteiras

Teresa Telecky, vice-presidente do depto. de vida selvagem da HSI, disse: “Em setembro passado, o magnífico leão Skye, que era o líder de sua manada e estava no seu no auge quando foi atraído para fora do parque nacional e levado para uma reserva particular, onde foi baleado e morto por um caçador americano”.

“Como resultado, muitos de seus filhotes foram mortos e algumas de suas leoas da alcateia foram severamente agredidas, enquanto novos machos tentavam assumir o controle. A dinâmica da espécie nesta região foi severamente comprometida”.

Uma manifestação está marcada para 13 de abril deste ano, onde milhares de defensores da vida selvagem marcharão rumo a Downing Street para pedir proteções mais rígidas, e para que todos os animais ameaçados de extinção fiquem fora da caça de troféus.

Goldsmith disse que estava aguardando uma atualização no assunto das autoridades ambientais.

Questionado sobre as críticas, o Departamento de Meio Ambiente citou uma declaração da ministra Thérèse Coffey, em que ela afirmava que “as importações já eram rigorosamente controladas”.

O governo afirma que esta analisando cuidadosamente a questão e planeja realizar uma mesa redonda com organizações representando todos os ângulos do debate para obter uma melhor compreensão das questões, e esta disposto a considerar outros ponto de vista científicos.

O atual secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, afirmou que as regras estão constantemente sob revisão, mas não chegou a dizer se uma proibição seria considerada.

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