Tempo integral dedicado aos animais

           

Fátima ChuEcco/Agência Anda de Notícias

Fátima Prudente
Fátima Prudente

As 24 horas do dia de Fátima Prudente são poucas para tantos assuntos relacionados à causa animal nos quais ela encontra-se mergulhada. A mineira Fátima, residente em São Paulo (SP) há 13 anos, faz parte da Faos – Federação das Associações e ONGs do Estado de SP, é colaboradora da Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB-SP, é relações públicas do Fórum de Proteção e Defesa Animal da Cidade de SP e coordenadora do Conselho Participativo Municipal da Vila Mariana onde ela também leva ideias nesse campo. Além disso, ela ajuda ONGs em resgates, feiras de adoção e apadrinha animais em lares temporários. Com ela vivem três cachorros: Anakim (que apanhava do antigo tutor), Solinho e Fiona, ambos tirados das ruas. Há dez anos na causa animal, ela conta como ingressou nesse caminho que, embora lhe tome todo o tempo, também lhe dá um grande prazer de viver.

ANDA- Por que você decidiu ajudar os animais?

Fátima Prudente – Vinte anos atrás eu ainda pensava muito diferente e comprei um cachorro com pedigree chamado Floyd. Nossa relação tornou-se muito intensa e ele entendia tudo o que eu dizia. Eu ficava impressionada com a capacidade de compreensão dele e isso me fez questionar porque compramos e comemos animais. Em 2007 ele morreu de câncer e eu já estava convencida que deveria passar essa minha vivência com ele a outras pessoas. Eu me sentia responsável pelo que tinha aprendido com o Floyd e que deveria tentar mostrar a outras pessoas como os animais são inteligentes e sensíveis.

ANDA – Quais foram seus primeiros passos na proteção animal?

Fátima Prudente –Comecei me unindo a pessoas que faziam resgates e feiras de adoção. Mas depois tive necessidade de ir além disso. Percebi que muitos animais fechados em casas onde sofriam maus-tratos precisavam de leis que garantissem o bem-estar deles. Percebi que precisava atuar também nas esferas jurídica e política. Assim, entrei para a Associação dos Moradores do Bairro de Moema (onde residia) e comecei articulação com políticos que se mostravam interessados na defesa animal. Eu sabia que precisava desses contatos para conseguir ampliar meu trabalho e fui entrando em outros grupos com essa finalidade.

ANDA- Como funciona o Fórum de Proteção Animal da Cidade de SP?

Fátima Prudente – O Fórum reúne ONGs e ativistas uma vez por mês na Câmara de Vereadores de SP. Nesses encontros a gente levanta as leis que devemos apoiar e projetos contrários ao bem-estar animal que devemos tentar derrubar. As reuniões servem também para amadurecer o tema de proteção animal no meio político, no caso, entre os vereadores. Em dezembro, por exemplo, faremos um seminário na Câmara sobre vivissecção ou testes em animais. O Fórum é aberto ao público e as pessoas que desejam participar podem entrar em contato comigo pelo email fatima.ntr@gmail.com

ANDA- Qual sua atuação na Comissão da Proteção Animal da OAB-SP?

Fátima Prudente – Como não sou advogada, posso apenas ser colaboradora das ações e participo das discussões em torno dos temas que envolvem animais e leis. A maior luta no momento é a alteração do Código Civil para que os animais deixem de constar como “propriedade” ou “objeto” de seus tutores e passem à condição de “seres sencientes”. Essa mudança garante uma condição de proteção aos animais mais favorável. A Comissão também promove eventos de conscientização. No próximo domingo, por exemplo, será realizada a 2ª Cãominhada Contra Abandono e Maus-Tratos no Parque Villa Lobos com atrações musicais e muita informação.

ANDA – Como você passou a ser vegana?

Fátima Prudente – Na mesma época da morte do Floyd eu estava numa transição para me tornar vegetariana. Larguei todo tipo de carne, mas até o ano passado ainda comia produtos derivados do leite. Então assisti uma palestra do Luis Martini do Grupo de Estudos sobre a Teoria Abolicionista de Gary Francione – GEFRAN e isso foi muito impactante na minha vida. Uma pessoa da plateia disse que não conseguia largar a carne porque lhe dava muito prazer comer. Luis respondeu que “o prazer não é um dado moral”. Essa frase me tocou fundo e virei vegana no mesmo dia.

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